Light, o colapso da privatização elétrica

A Avenida Presidente Vargas, agora há pouco, às escuras

Publiquei outro dia aqui a situação caótica dos investimentos em melhoria e conservação das redes de distribuição de energia elétrica em todo o país. Mas o caso da Light, no Rio de Janeiro, está dramático. Quando há chuva e ventania, a culpa, claro, é da natureza. “Ah, foi o calor”. Mas quando não há nemn chuva, nem vento, nem calor excessivo, a luz apaga do mesmo jeito. Daqui de Brasília me informo, pelo telefone, sobre a situação de caos na Avenida Presidente Vargas, com enormes trechos às escuras, por causa da explosão de um bueiro por volta das 19 horas. Ontem, outro bueiro da companhia já tinha explodido, ferindo duas pessoas.

As lojas tiveram de fechar, as diversas faculdades que funcionam na avenida suspenderam as aulas,  os transportes viraram um caos.

A Presidente Vargas, para quem não sabe, é uma das mais importantes artérias do Centro do Rio.  São quatro pistas, cada uma com três faixas de rolamento.  O trânsito deu um nó e o policiamento teve de ser reforçado. Daqui a alguns meses você vai ler que a Aneel vai multar a Light, mas a empresa poderá recorrer. E a multa será, é claro, paga pelo pobre consumidor carioca.

Até que enfim, alguém “peita” as montadoras

O Governo Federal multou  a  Fiat em R$ 3 milhões, por  um defeito nas rodas do veículo Fiat Stilo que causou acidentes e não foi solucionado pela montadora. Além disso,   determinou que a montadora faça o recall imediato dos automóveis. A Fiat já foi notificada sobre a decisão. o problema vinha sendo divulgado em foruns pela internet, com diversas pessoas relatando a soltura de uma roda traseira, com colisões e capotamentos, como mostra a foto.

Uma análise do Departamento Nacional de Trânsito encontrou um  um defeito  cubo da roda dos veículos, capaz de, em situações extremas, causar perda da roda. Na  investigação, foram apontados diversos  acidentes envolvendo o problema entre 2007 e 2008 – com oito mortes -, envolvendo  veículos fabricados entre 2004 a 2008. Os problemas com a Toyota, que levaram ao recall de milhões de veículos e abalaram a imagem da montadora japonesa foram responsáveis por 16 mortes

A multa, em bora seja pequena diante do poder econõmico da Fiat, é a máxima prevista no Código de Defesa do Consumidor, “tendo em vista que a montadora negou a existência de defeito e não realizou recall, colocando em risco a saúde e segurança dos consumidores”, afirma o Ministério da Justiça.

Conselho de Jereissati: “caia na vida, José Serra”

Como eu disse ontem aqui, a figura de José Serra se parece cada vez mais com um boneco de Judas de sábado de Aleluia. Depois de FHC e jarbas Vasconcellos, hoje chegou a vez do senador Tasso Jereissati disparar impropérios contra a indecisão do governador paulista em anunciar sua decisão de ser candidato. No Globo Online, o tucano cearense, o vice que sobra para Serra com a recusa de Aécio, usa uma linguagem totalmente desabrida com o seu “líder”.

Tasso  cobrou que o governador de São Paulo “caia na vida”. Numa referência indireta ao ritmo acelerado da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, o senador afirmou que o atraso na campanha do PSDB na corrida pelo Palácio do Planalto é mais grave do que perder um bonde ” O nosso trem está atrasado. Quando falo em ser candidato, é cair na rua, cair na vida. ”

Diz o jornal que  Tasso elevou o tom das críticas. Atribuiu a estratégia de Serra de adiar para abril o anúncio de sua candidatura “aos amigos dele”:

- É uma estratégia que ninguém está entendendo. Acho isso uma loucura, sem sentido.

Eu disse ontem que Serra é tangido, já aos berros, para o matadouro.

Sanções comerciais: a guerra do cordeiro com o lobo

Todos leram que a Organização Mundial do Comércio autorizou o Brasil a sancionar em perto  de US$ 830 milhões os Estados Unidos por subsídios indevidos que prejudicaram nossas exportações de algodão.  Hoje, o londrino Financial Times, um dos mais importantes porta-vozes dos grandes interesses econômicos faz do Brasil, que é vítima, o provocador de uma “guerra comercial” com os EUA, quando, simplesmente, aplicamos as sanções decididas, depois de anos, por um organismo multilateral.

As  sanções comerciais têm pouca importãncia, apesar de representatem mais de dois terços do valor total. É que não podemos aplicá-las plenamente por duas razões. A primeira é aplicar alíquotas torna as importações mais caras, leva água para o moinho da inflação e atinge os segmentos que comercializam ou usam como matérias-primas os produtos taxados mais fortemente. A segunda, e mais importante, é que isso nem faz cócegas num gigante como os EUA, cujas exportações para o Brasil representam apenas  2,5% de sua pauta comercial com o exterior.

O  capítulo mais significativo da disputa, porém, só começa dentro de um mês, quando o Brasil divulgará a lista dos direitos intelectuais – patentes – que terá o direito de quebrar, no valor de 238 milhões. Aí é que se toca no coração da fera.  Com um alfinete, é certo, mas se toca. A dominação imperial moderna se dá, hoje, muito fortemente por aí. O conhecimento é a mais valiosa e insubstituível mercadoria do mundo moderno.

Lula reafirma que caças têm de trazer tecnologia

Na coluna ”O presidente responde”, que publica todas as semanas em diversos jornais do país, Lula responde hoje  a uma pergunta do carioca Osvaldo Nascimento Silva : “ Por que o senhor ainda não autorizou a compra dos super caças? Não há potência econômica sem poder militar e os riscos à nossa soberania são evidentes”.

A resposta de Lula acabaca com as chances de  que a escolha ainda pudesse pender para os F-18 Super Hornet, da americana Boeing, que já informou oficialmente que a transferência de tecnologia não pode ser garantida de forma irrestrita, oferecendo indenização em dinheiro pela recusa de repassar o conhecimento de certos sistemas do avião.

Leia a resposta de Lula:

“Ainda não tomamos uma decisão a respeito justamente pela importância que a escolha terá sobre a capacidade de defesa e sobre o desenvolvimento tecnológico e industrial do Brasil. Temos que ser muito cautelosos. A FAB já fez sua análise e pré-selecionou três modelos que atendem às suas necessidades técnicas. Agora é a hora de o governo fazer a análise estratégica, política e econômica para apontar qual proposta  trará mais benefícios para a sociedade. Decidimos fazer da política nacional de defesa um eixo de desenvolvimento econômico e de autonomia tecnológica. Vamos bater o martelo somente depois de concluída a análise do Ministério de Defesa, de ouvir o Conselho de Defesa Nacional e considerando as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa. Posso adiantar que a empresa a ser escolhida, seja qual for, terá que se comprometer com a transferência irrestrita de toda a tecnologia de ponta. ”

O senso do ridículo

Disse em relação a José Serra, repito em relação a Eduardo Paes. Nossos governantes parece que perdeiram o senso do ridículo. Fé é algo pessoal e respeitável, mas não é assunto do poder público. Um governo é para todos, católicos, espíritas, evangélicos ou ateus. Por isso, é inacreditável a notícia que O Globo publicou agora há pouco. Leiam só:

Quatro dias após o violento temporal que atingiu a cidade , o prefeito Eduardo Paes renovou na tarde desta terça-feira o convênio com a Fundação Cacique Cobra Coral, que presta assistência técnico-científica gratuita para o município em questões climáticas. O convênio, mantido com a subsecretaria de Águas (Rio-Águas), havia expirado no dia 28 de fevereiro. A cerimônia de renovação da parceria ocorreu em uma audiência com a médium Adelaide Scritori com Paes na sede da prefeitura, no Centro Administrativo da Cidade Nova.

- Infelizmente, a Fundação não foi acionada no forte temporal de sábado passado no Rio. O convênio com a prefeitura estava à espera de renovação mas temos um acordo em vigor com o governo do Estado. Mas a Defesa Civil do Estado também não nos alertou – disse Osmar Santos, porta-voz da Fundação Cacique Cobra Coral.

A médium Adelaide Scritori afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral, entidade capaz de influenciar no tempo. No passado, esse espírito já teria reencarnado como Galileu Galilei e como Abraham Licoln.

Embora o convênio fale em “asistência técnico-científica” (?!) e com todo respeito aos mistérios da fé ou do ocultismo, acho que o prefeito faria melhor em dedicar seu tempo às providências administrativas que lhe cabem, porque até o  cacique Cobra Coral anda queixoso  dos problemas da prefeitura, vejam só:

(…) a médium cobrou do prefeito medidas para conter os efeitos de chuvas fortes na cidade. Segundo Osmar, ela citou reportagem do GLOBO que com base em informações do Tribunal de Contas do Município, mostrou que os contratos de limpeza de rios chegaram a ficar 13 meses paralisados entre 2008 e o segundo semestre de 2009. Paes teria se comprometido a verificar o que ocorreu. 

E depois querem dar “bronca” na população que sofre com as chuvas.

Temporal no Rio foi forte, mas essa é mais forte ainda

Estou aqui, estarrecido, lendo a matéria de O Globo com a entrevista do secretário de Conservação do Município do Rio, Carlos Osório.

Claro que com o pé-d’água que caiu na cidade na noite de sábado, haveria problemas, mesmo que não houvesse uma folhinha sequer em um bueiro da cidade. Foi muita água. E uma cidade cheia de encostas e matas como a nossa, está sujeita sempre a isso.

Mas o recém-nomeado secretário começa muito mal quando culpa a população pelo fato de terem se entupido os bueiros. Claro que se joga lixo nas ruas, mas a conservação da cidade está péssima, ao ponto de o prefeito ter criado uma secretaria de conservação e tê-la entregue ao Sr. Osório, que era braço direito do presidente do  Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman.

Qualquer carioca sabe que, mesmo antes da chuva, a cidade está  um festival de buracos. Já vinha mal, com Cesar e Eduardo Paes ainda não conseguiu mudar este quadro. Passamos o início do ano discutindo o problema dos “mijões” – uma coisa desagradável, por certo – enquanto as ruas se esfarelam e os ralos se entopem.

Mas pior foi a declaração de que  a “cidade amanheceu com apenas duas vias alagadas: a Rua Almirante Alexandrino, em Santa Teresa, e a Rua Novo Mundo ( na verdade, Rua Mundo Novo), em Botafogo”. Ora, secretário, estas duas ruas são ladeiras, com poucos trechos planos – e não totalmente planos . Enxurradas, sempre vai haver. Mas só alagam se estiverem entupidos os bueiros. Os da Mundo Novo, que liga Botafogo a Laranjeiras, pelo morro que separa os dois bairros, não sei. Os da Almirante Alexandrino, onde passei domingo, eram pura lama e folhas. Ontem, eu soube , o pessoal da Comlurb limpou.

No caso de ruas calçadas com paralelepípedos, como essas são, ( no caso da Almirante Alexandrino, apenas as partes mais íngremes), a solução é a colocação de bueiros transversais à rua e não apenas os paralelos, no meio fio, exatamente pelo efeito enxurrada. Eles reduzem o volume e a velocidade das águas e se colocados antes das curvas, onde muda o sentido dos paralelepípedos, ajudam a evitar a formação de crateras.

Na foto que está no post, você vê o que a água fez na Ladeira dos Guararapes, que sobe do Cosme Velho para Santa Teresa, arrancando os paralelepípedos e arrastando um carro. Não é o caso de fazer grelhas transversais, mais largas que um bueiro comum, para não entupirem, com pequenas faixas de concreto protegendo sua “emenda” com o calçamento? Não é caro, se pode fazer com canaletas de concreto pré-moldado, em seções e grades de ferro fundido

Secretário, todos nós, que vivemos nessa cidade, desejamos que o senhor faça uma boa gestão. Como eu falei no caso da operação que a prefeitura quer fazer para recuperar o calçamento das ruas, queremos obras bem feitas. Antes de culpar a população, ande mais, converse mais. Sobretudo, assuma que há um atraso sério nisso, que pode ser comprovado pelas suas próprias – e boas – iniciativas de colocar zeladores verificando o estado das ruas (ia começar ontem, não é mesmo? ) e a de fazer a “Operação Águas de Março”, para limpar bueiros. Veja só, se as águas são de março, março deveria ter entrado com ela concluída, não acha?

Sei que não é sua culpa, que entrou agora. Mas a população carioca é inteligente, gosta de ver  pessoas nas quais percebe sinceridade e eficiência, muito mais do que “levar broncas”.

Os governantes servem à população, não o contrário.

Clube de SP faz voto impresso em urna eletronica

O sofisticadíssimo Club Sociedade Harmonia de Tênis – um título de sócio custa mais de R$ 90 mil – resolveu cuidar da transparência e confiabilidade de suas eleições. Vai fazer, no dia 15, a votação para a escolha de sua nova diretoria. Mas, apesar de tradicional, a instituição vai adotar a urna eletrônica para seus associados  exercerem o voto. Eletrõnicas, mas com voto impresso, que vão ser registrados, anonimamente, em papel e cair dentro de coletores, como este da foto, desenvolvidos pela empresa Microbase, como resposta tecnológica ao “Sistema Oficial de Eleições do TSE que não permite qualquer forma de auditoria independente”. Esta caixa que você vê na foto é o coletor de votos impressos, que ficam lacrados e que podem ser contados por amostragem, para verificação de correspondência do voto eletronico com o resultado registrado em papel. Simples, assim. Nas eleições do Harmonia, a Ernst & Young fará a auditoria nos resultados que virão dos 12 terminais de votação. Muito bem. Eleitor chique tem direito a ver seu voto valar. Nós só queremos que o TSE se convença que, rico ou pobre, todo brasileiro tem direito a saber que o voto que apareceu na contagem foi, de fato, o voto que ele assinalou na urna.

Lula responde a O Globo. O jornal está errado.

Faz poucos dias, o Governador José Serra participou da inaguração da Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Minas. Não é provável que o Governo paulista tenha posto dinheiro na obra do governo mineiro.  Ontem, a ministra Dilma Roussef foi à inauguração do Hospital da Mulher Heloneida Studart e O Globo apressou-se em noticiar que ela vinha participar da entrega de uma obra  que não tinha recursos federais.

Posto aí em cima o vídeo com o trecho do discurso que Lula fez hoje respondendo ao jornal. A Folha pegou carona e embarcou na exploração política.

Embora não seja nada de mais uma autoridade participar de uma inauguração antes do período em que a Lei o proíbe.

Mas, se o problema é o fato de o Governo Federal ter ou não colocado dinheiro na obra, que fique esclarecido: colocou, sim. Exatamente R$ 44 milhões, como pode ser conferido aqui , na página do Ministério da Saúde, em matéria publicada no dia 3 de agosto do ano passado.

Quando se tem vontade, que maravilha fica um CIEP

Estou saindo da Rocinha, onde estava  participando a inauguração, feita pelo Presidente Lula e pela Ministra Dilma Roussef, da primeira parte das obras do PAC naquela comunidade, composta da vila olímpica e das instalações que você vê aí na foto ao lado,  junto do CIEP Ayrton Senna. Mais cedo estive em São Gonçalo, acompanhando o ministro Carlos Lupi e o governador Sérgio Cabral na inaguração de outro Ciep, que havia sido invadido no Governo Marcello Alencar, em 1995, após ter sido deixado em fase de acabamento no Governo  Ali está a prova que, quando um governo quer, aquelas escolas podem voltar a oferecer às crianças e jovens um ensino no melhor padrão das escolas privadas.  A escola ganhou recebendo auditório, laboratório de informática, Física, Matemática, Química e Biologia, além de sala de Artes Multiuso. Na cobertura, há biblioteca, quadra poliesportiva coberta e vestiários.

No video aí em cima, você vê a matéria veiculada no RJTV de agora há pouco. É verdade que a obra demorou. Mas foi feita e com muito capricho, pelo que eu vi. O Ciep chama-se  George Savalla Gomes, nome do famoso palhaço Carequinha, um ídolo das primeiras décadas da televisão brasileira, a partir dos anos 50. Carequinha morreu em 1990.

Serra e o “fogo (nem tão) amigo” de FHC e Jarbas

Os movimentos, na política, não são cartesianos. O que parece, nem sempre é. Mas  quando os períodos eleitorais vão se aproximando, as sutilezas, se não desaparecem, ao menos descem da ribalta e o alinhamento passa a ser a regra. Isso não é absurdo, é assim mesmo o processo. Você consegue imaginar um político subindo no planque de um aliado e dizendo: Fulano, eu sou contra isso aqui que você fez, detesto este camarada que está aí do seu falo, discordo de sua política para isso e para aquilo, mas te apóio, porque não quero que o outro ganhe a eleição?

Pois é, quando isso acontece, tem batata na chaleira.

Fiquei pensando nisso ontem, depois de ler a entrevista – veja aqui a íntegra - do senador Jarbas Vasconcellos, disparando uma saraivada de críticas a José Serra – e também a Aécio Neves -, dizendo que a oposição “está sendo atropelada pelos fatos” e que “o tempo de Serra acabou” .

Li também as opiniões do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso veiculadas na coluna do jornalista Kennedy Alencar, no UOL, igualmente duras, no mesmo sentido das de Jarbas. Nela, o ex-presidente parece defender, a todo custo, uma chapa Serra-Aécio já não para vencer, mas para ter uma “derrota honrosa”. Transcrevo, literalmente: “Melhor eventual derrota mostrando de forma agressiva que o PSDB é também responsável por políticas públicas hoje identificadas apenas com Lula do que realizar uma campanha acuada.”

Evidente que ambas as manifestações são recados, e nada amistosos, de que o relutar de Serra em ser candidato e arecusa de Aécio em assumir a vice vão lhes custar caro.  Não apenas sobre Aécio, mas sobretudo sobre Serra, é pressão e pressão com dentes à mostra. E o fato de ser feita, e feita desta forma, faz crer que a possibilidade de Serra estar refugando não é nada improvável.

Tangem Serra à candidatura como a um matadouro. E mostram que não lhe perdoarão o recuo.

Investimento estrangeiro entra …e sai

Durante os anos do império neoliberal e mesmo depois, nas sequelas que ele deixou na economia e nas mentes das pessoas, sempre ouvimos que a grande salvação para o Brasil eram os investimentos estrangeiros. Empresas multinacionais, com sua capacidade, sua eficiência e, porque não dizer, com sua quase “superioridade racial” aos brasileiros transformariam o país, fazendo daqui a  terra de properidade que os brasileiros seria, ou foram,  incapazes de fazer.

A toda hora ouvímos – e ainda ouvimos – “entraram tantos bilhões de investimentos estrangeiros este ano! Viva!”E as champanhes espoucavam, os eventos se multiplicavam e a parcela de nossas elites que cultiva a ideia de eterna dependência assanhava-se com a perspectivas de que, do banquete, caíssem migalhas mais fartas.

Não há nada de errado com o investimento externo. Mas é tão simples que não é preciso ir a Harvard, mas apenas ao pipoqueiro da esquina para saber que quem investe 10, quer tirar 11, 12, 13… Esta é uma conta que só fecha enquanto se investe mais e mais. Com o tempo, é obvio, os fluxos de saída começam a ser maiores que os de entrada. Não é “maldade”, é apenas o processo natural do capitalismo de remunerar o capital.

A Folha de S. Paulo de hoje traz uma matéria que muitos poderão ler com os olhos daquele “por que me ufano de meu país”: Filiais brasileiras salvam balanço de multinacionais. Nela, conta-se que o Brasil “é a grande estrela da atual safra de balanços das multinacionais”  – pois a força do mercado interno brasileiro, sobretudo a partir do segundo semestre, contribuiu para melhorar o desempenho das companhias internacionais com negócios aqui. A Fiat do Brasil vendeu mais carros que a Fiat italiana; a AB Inbev, maior cervejaria do mundo, teve queda de 0,8% nas vendas globais de cerveja mas, no Brasil, a empresa vendeu 9,9% mais e faz aqui 30,8% do seu lucro total. E sssim foi com a Nestlé, com o Carrefour, com a Unilever e com a Portugal Telecom (dona de metade da Vivo).

Na verdade, o mercado brasileiro foi tão promissor que estas empresas até mesmo moderaram o envio de lucros e dividendos para suas matrizes – que tinha subido fortemente em 2008 para socorrer-lhes o caixa abalado pela crise – em 30%. Mas o próprio Banco Central acredita que não será assim em 2010 e projeta uma alta de quase 50% neste valor, para US$ 30 bilhões. Como estamos crescendo e somos uma das mais promissoras economias do mundo, a conta vai continuar “fechando”, mas continuamos expostos aos caprichos dos fluxos internacionais de capitais. As marés enchem, mas também baixam.

O nível de participação do capital estrangeiro na economia brasileira, puxado por estes investrimentos estrangeiros, é um dos maiores do mundo, entre os países em desenvolvimento.O investimento estrangeiro acumulado equivale a 18% do PIB brasileiro, contra 13% do russo e apenas 9% do chinês, dois países com economias maiores que a nossa.

É imperioso que o país assuma a regulação desta participação econômica, dando um direcionamento adequado destes investimentos para setores onde realmente nos faltem capacidade tecnica ou financeira de agirmos com nossas próprias forças, aplicando-lhes uma tributação adequada, que não trate da mesma forma o lucro que fica como reinvestimento e o que sai como remessa.

Ninguém pensa num Brasil autóctone, fechado ao mundo da economia. Mas o processo de desnacionalização de nossa economia é evidente e grave. Mas uma parcela expressiva do nosso empresariado é tão imediatista e egoísta que chega a querer que entreguemos até o petróleo, do qual temos a capacidade de ter a hegemonia do processo de extração.

É mais investimento, argumentam. Sim, é. E logo, mais perda da riqueza que é gerada aqui, mas acaba lá fora, como lucros e dividendos deste investimento.

Fundão vira centro de tecnologia de petróleo

Parque Tenológico do Fundão: além do Cempes, 200 empresas de petróleo

A maior riqueza do mundo não é o petróleo, não é ouro, não é urânio. É a inteligência humana. E a gente só pode ficar orgulhoso e feliz quando vê que o nosso país e, especialmente, o Rio de Janeiro, se parepara para transformar a riqueza do petróleo do pré-sal numa fonte de geração deste tesouro que não se compra, que é a capacidade humana de desenvolver saber e aplicá-lo.

Hoje, o Estadão publica uma matéria informando que a Petrobras e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) trabalham para transformar a Ilha do Fundão no maior centro global de pesquisa tecnológica do setor de petróleo. O  Parque Tecnológico do Rio já atraiu 200 empresas dos mais variados portes e espera fazer do local um polo exportador de conhecimento.  Ali, na Ilha do Fundão, além da sede do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes),da Coppe (pós graduação), e do Instituto de Engenharia dois dos maiores parceiros da estatal, estão se instalando as três maiores prestadoras de serviço de perfuração de poços do mundo, a francesa Schlumberger e as americanas   Baker Hughes, e a FMC Technology.
Brasileiras, também, como a  Usiminas, estão investindo ali. A  companhia assinou convênio com a Coppe para desenvolver aços especiais para o pré-sal, que é altamente corrosivo. Os trabalhos serão desenvolvidos em um centro de pesquisas que a siderúrgica construirá no Parque Tecnológico.
A expectativa  é que, em três a quatro anos, cinco mil pesquisadores trabalhem no local. Muitos  serão estrangeiros, acelerando o intercâmbio e ampliando o domínio do conhecimento.  No caso do Parque Tecnológico do Rio, diz, a grande vantagem é trazer as empresas para o convívio com a comunidade. “O problema é que ainda não conseguimos transformar o desenvolvimento científico em riqueza. Acho que agora conseguiremos”, disse o diretor do Parque Tecnológico, Maurício Guedes.

Artigo: “O povão tem direito à internet”

Comecei a publicar hoje um artigo nas edições dominicais do jornal “Povo do Rio”. Para quem não é do Rio, é um jornal daqueles de estilo bem popular. A coluna, é claro, não poderia ter outro nome: Tijolaço. Nela, vou procurar abordar, de forma bem simples, assuntos diretamente ligados à vida das pessoas. O primeiro tema foi, como me pareceu adequado pelas conversas que temos tido aqui no blog, a questão da inclusão digital das camadas mais desfaforecidas da população.

Quem desejar ler o  texto, está publicado – e o farei sempre – na seção Artigos, onde pedi que um amigo a postasse, já que estou participando da inauguração do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, com a Ministra Dilma Roussef e o Governador do Estado,  Sérgio Cabral, que concluiu a obra.

Se receber observações, sugestões ou temas que vocês achemque deva abordar, ficarei muito feliz, desde que vocês também entendam que eu sou um só e a coluna também é uma só.

A “eficiência” privada apaga a sua luz

Ainda na Folha de hoje – e não foi colocado na internet – há um elucidativa matéria sobre as razões das constantes quedas de energia que se registram em todo o país. Temporais, calor, tudo isso evidencia que as redes de distribuição estão mal conservadas e sobrecarregadas. E a reportagem deixa clara a origem disso: as distribuidoras cortaram os investimentos: nas seis com piores indicadores, este corte chegou a 30%.

Olhe o gráfico ao lado e veja os níveis a que se chegou em algumas distribuidoras, embora todas tenham reduzido os investimentos.

É evidente que as empresas dizem que não é bem assim, e que a Aneel, de novo e de novo, diz que vai multar pesadamente as empresas, multas que elas pagam, é claro, com o dinheiro do consumidor. E as ameaçam, agora, com a “nova” regulamentação que faz com que os consumidores lesados sejam diretamente indenizados, na proporção do tempo em que cada um ficou sem energia.

E não aparece um repórter para perguntar o óbvio: quem vai controlar isso? O consumidor? A Aneel? Vão instalar “apagômetros” nos relógios?

A tal “nova” regulamentação – que já existia – já tem mais de três meses. Aposto que a luz já apagou na sua casa. Assim como aposto que não deram um centavo de desconto na sua conta.