São Pedro atrapalha mesmo Serra, diz pesquisa

Saiu lá  no caderno de economia da Folha de S. Paulo, no cantinho de baixo da coluna “Mercado Aberto”, da jornalista Maria Cristina Frias, esta pesquisa da empresa Market Analysis, feita em nove capitais e ouvindo 875 pessoas. Segundo a matéria, a maior influência se dá entre os mais pobres e entre os mais jovens, onde o índice chega a 73 por cento. A matéria não publica os resultados separados por cidade, mas não é difícil imaginar que o índice em São Paulo deva ser maior do que a média nacional. Além de São Fernando, São Pedro também não está ajudando o Governador José Serra.

Sem caveirão, sem helicóptero, sem tiroteio

Orlando Pereira, 59 anos, responsável pelo abastecimento de drogas, principalmente cocaína, de várias comunidades da Zona Sul e Norte do Rio, foi preso sábado, após dois meses de investigações, num apartamento duplex em Copacabana, na Rua Viveiro de Castro. Não houve um tiro, ninguém correu risco, não se usou caveirões, nem metralhadoras em helicópteros, não se colocou inocentes em risco.

Claro que nem sempre pode ser assim, mas essa deveria ser a regra. Investigar, prender, punir. Os “chefões” do tráfico carioca, são “chefinhos”  perto dos traficantes internacionais que os abastecem. Este Orlando, por exemplo, tem 24 anos de pena a cumprir na Itália e já ficou um ano e meio preso na Espanha.

Ele, com certeza, não é o único. A prisão de um deles  atinge mais seriamente o  tráfico mais do que qualquer incursão bélica nas favelas.

Parabéns aos policiais que investigam e agem assim, em lugar de achar que tudo vai ser resolvido a bala, o tempo todo.

Alagar, pode. Protestar, não pode

Agora há pouco, o Estadão publicou esta foto, de policiais jogando gás de pimenta em moradores do Jardim Romano, bairro da Zona Leste de São Paulo  alagado há  dois meses – reparem, há dois meses -,  que protestavem na calçada, próximo ao Viaduto do Chá, exigindo uma audiência com o Prefeito Gilberto Kassab.
Leia o texto do jornal:

Cerca de 200 moradores da região alagada na zona leste de São Paulo faziam uma manifestação na tarde desta segunda-feira, 8, no Viaduto do Chá, em frente à Prefeitura. Durante o ato houve confronto com policiais militares, que usaram spray de pimenta e cassetetes para conter o protesto.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os moradores, que ocupavam a calçada da via, se reuniram no local por volta das 14 horas para cobrar uma solução das autoridades. Eles pretendiam ser recebidos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

A área alagada, que engloba sete bairros, está em estado de calamidade pública desde a semana passada. Nesta segunda-feira, o Jardim Romano completa dois meses de alagamento. Às 15h30, a assessoria de imprensa da Polícia Militar confirmava apenas um princípio de confusão.

Mobilização pelo piso regional

Recebi, nos comentários, a nota do presidente da Comissão de Trabalho da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Paulo Ramos, do PDT,  sobre a decisão da Justiça de suspender o pagamento dos pisos regionais de salário. Seu entendimento é idêntico ao meu, a intenção da lei está sendo lida ao contrário. Transcrevo o texto, para conhecimento de todos:

A emenda que apresentei ao projeto que fixou os novos pisos salariais do Estado do Rio de Janeiro – e que agora é lei (Lei 5627, de 28 de dezembro de 2009)- representou uma grande vitória para os trabalhadores do estado. Ela garantiu no Estado do Rio de Janeiro o piso salarial dos empregados de várias categorias.
Desse modo, a lei estabelece o piso, que somente poderá ser modificado salvo se lei federal, convenção ou acordo coletivo fixar uma remuneração maior. Enfim, os sindicatos patronais e os de trabalhadores somente podem pactuar para beneficiar o trabalhador e nunca para prejudicar.
A lei, portanto, não veda convenção ou acordo, apenas faz prevalecer o piso como patamar inicial a balizar qualquer convenção ou acordo coletivo.
Pretender o contrário é negar a prevalência da lei, principalmente porque ela foi elaborada exatamente para proteger as categorias profissionais mais fragilizadas diante do poder do capital.
É lamentável que num plantão noturno, a desembargadora Jacqueline Lima Montenegro tenha, de afogadilho, através de liminar, atendido à pretensão atrasada da Firjan, em detrimento do direto dos trabalhadores. Se fosse o contrário, certamente a desembargadora seria, pelo menos, mais cautelosa para decidir, procurando, primeiro, se informar melhor.
A Comissão de Trabalho da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro está em mobilização permanente e vamos realizar audiência pública para tratar do tema (dia 10/2/2009, quarta-feira, às 10 horas, no Plenário Barbosa Lima Sobrinho, Alerj).
Vamos lutar para fazer valer a lei e garantir mais essa importante conquista dos trabalhadores.

FHC vira cabo-eleitoral de Dilma, definitivamente

Nem no mais delirante sonho a campanha de Dilma Roussef poderia contar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fosse ajudar, como está ajudando, a eleição a se polarizar entre ele – naufragado numa enorme rejeição popular – e Lula, apoiado nos maiores índices de aprovação já alcançados em seu Governo. Mas FHC está fazendo mais que isso, está se encarregando, ele próprio, de transferir para Dilma o apoio que vem das más lembranças que traz.

Agora há pouco, em O Globo, ele leva mais água para o moinho da candidata, ao dizer que “ela não inspira confiança” e ao insinuar que não seria honesta, ao dizer que “tem que ver se a pessoa inspira confiança. Nós precisamos de gente competente e que não roube. E que inspire confiança”.

O Governo Fernando Henrique, como se sabe, foi um governo que inspirou confiança e onde ninguém roubou nada. Ou alguém seria capaz de fazer perversas suposições sobre os negócios que envolveram a privatização das estatais,  o sistema financeiro, o Banco Central, nas desvalorizações cambiais…

No twitter, o Antonio_Borges me disse, outro dia: “Cara! Pedi agora mesmo que FHC não se calasse! Minhas preces foram ouvidas!

Ou podíamos fazer como o Rei Juan Carlos: Fernando, por favor,  no te callas

Crueldade com os mais pobres

Operadores de telemarketing no Rio: 77 reais a menos no salário baixo

Não discuto o mérito técnico-jurídico da decisão da Justiça do Rio. Mas,  socialmente, é uma crueldade a decisão que tomou excluindo os trabalhadores de diversas categorias da aplicação dos novos valores do salário mínimo regional por tipo de ocupação.

Para que vocês entendam, a partir de 1° de janeiro, quando o novo mínimo nacional passsou a R$ 510, a lei estadual previa que os trabalhadores do Rio de Janeiro, dependendo de suas categorias, recebessem um pouco mais: R$ 553,31 para trabalhadores rurais e florestais e até R$ 665, para quase todas as categorias de nível elementar e médio, além de R$ 1.081 para professores até a 5a. série e de R$ 1484, para advogados, contadores e administradores de empresas. A relação completa das categorias e valores, no texto da lei, está aqui.

A  desembargadora Jacqueline Lima Montenegro,no plantão noturno do Forum na última quinta-feira, suspendeu, por liminar concedida à Federação das Indústrias do Rio de Janeiro o pagamento destes valores. Ela diz que os  novos pisos regionais são  inconstitucionais porque não podem ser aplicados “onde haja convenção ou acordo coletivo de trabalho”.

De fato, há uma distorção legal que estou apelando para que a Câmara dos Deputados corrija imediatamente. Apresentei, em 2008, um projeto de Lei Complementar (leia aqui), suprimindo a restrição apontada pela desembargadora como fundamento de sua decisão.

Esta restrição é absurda, por duas razões.

Primeiro, porque do ponto de vista jurídico, acordo ou convenção não podem se sobrepor àquilo que é definido em lei para reduzir direitos do trabalhador. Este é um princípio jurídico no mundo do trabalho.

Segundo, ela cria o paradoxo de destruir a própria idéia de “piso salarial”. Se, por acordo, pode prevalecer uma remuneração menor  que o piso, desaparece toda a função social da idéia de uma remuneração mínima aos trabalhadores de cada categoria. Imaginem só se puder valer um acordo pelo qual os trabalhadores ganhem menos que o piso? Que pressões se podem fazer, quanta”maracutaia” pode se envolver em negociações trabalhistas, quando se puder abrir mão, até, daquilo que é definido em lei? E as categorias que têm data-base em maio, junho, o que fazem? As convenções e acordos sindicais vão ficar pesando, como uma condenação, para que ganhem menos que o piso?

Ora, isso é algo impensável.

Quer um exemplo, que atinge milhares de pessoas, sobretudo jovens? Os operadores de telemarketing têm, aqui no Rio, um piso de R$ 588. Passariam a ganhar R$ 665.  Como sua data-base é 1° de maio, até lá valem os R$ 588 da decisão judicial. Setenta e sete reais pode ser o preço de um jantar de um pessoa que ganhe muito bem. Ou podem ser metade das compras do mês para um trabalhador.

O mais grave, porém, é que outras categorias, que não têm as convenções ou acordos mencionados como razão da anulação dos pisos, vão ser atingidas por esta decisão. Empregados avulsos e domésticas, sobretudo, que não contam com nenhum tipo de proteção ou poder de negociação vão deixar de receber R$ 43 reais que lhe significam, muitas vezes,  não ter o que dar de comer a seus filhos.

A venda da Justiça não a  pode impedir de ver a fome, sua balança não pode pender a favor dos mais ricos e sua espada não pode ser para degolar quem vive do trabalho  humilde.

Oliver Stone teme censura mídia em filme com Chávez

O blog sobre cinema de O Globo publica hoje uma entrevista de Rodrigo Fonseca  com o cineasta americano, vencedor de dois Oscar com  “Platoon” e  “Nascido em 4 de julho” . Stone diz que está tentando que seu filme  South of The Border, lançado este ano no Festival de Veneza, não sofra o mesmo boicote que outros, por não ter uma visão hostil a Chávez.

— Tenho muito carinho por esse documentário. Ele foi feito no espírito de flagrar a cobertura hipócrita que a mídia americana deu a Chávez, chamando-o de ditador. A América Latina hoje tem um time de governantes, Lula entre eles, que se preocupam em ouvir quem passa fome.

Stone fala até sobre a candidatura Dilma, provocado pelo repórter:

— Não conheço a mulher (Dilma Rousseff) que Lula escolheu para concorrer nas eleições. Mas, se foi escolha dele, ela deve ser uma política progressista, e isso é um convite aos ataques dos que detêm o controle bancário no Brasil. O segredo para ela é reconhecer desde já aqueles que podem se tornar seus inimigos.

Ele está finalizando um filme sobre o mundo das finanças – “Wall Street: o dinheiro nunca dorme” -  e cuidando do lançamento do documentário sobre a Venezuela:

-É importante o cuidado com “South of the border”, porque eu sofri um boicote cultural nos EUA com um projeto de formato similar, o documentário “Comandante”, no qual filmei Fidel Castro. Ele não foi lançado nos cinemas americanos, e os canais de TV daqui se recusam a exibi-lo. E ainda dizem que este país não tem censura.

A propósito, o repórter comete um ato falho. Ao escrever sobre o filme – de grande sucesso de Stone, JFK, a pergunta que não quer calar, sobre o assassinato de John Kennedy, escreve Chávez, a pergunta que não quer calar.

Tudo bem, não quer calar também a pergunta sobre por que o filme  não pode ser visto logo, sem boicotes.

Serra “descobre” que site era fake e faz pirata bombar

Só rindo da nota postada agora há pouco no Blog do Josias no UOL. O jornalista foi levado no bico pela cara de paisagem do Governador José Serra no Twitter, negando que tivesse site registrado em seu nome. Não tem, é verdade. Mas já sabe faz muito tempo, e todos os grandes sites de notícias sabem disso.

Como sabem? Porque aceitaram publicidade paga do site picareta joseserra.com.br. E bota picareta nisso, como você vai ver no nosso post.

Porque o  Tijolaço mostrou isso lá atrás, no  dia 31 de outubro do ano passado.

Há quase 100 dias, portanto.

Não é possível que a imprensa inteira e a enorme assessoria do Governador não tenham visto os anúncios no Terra, no IG e no G1, só para citar alguns.E o próprio UOL.

Está lá, no post que fiz, a reprodução das telas com as chamadas publicitárias. É só olhar. E tem toda a ficha do vigarista.

Garanto que se tivesse um anúncio de dilma.com.br ou ciro.com.br, iam cair em cima por “propaganda eleitoral antecipada”.

E essa história de dizer que “só na Justiça” é conversa. Não há um juiz que não veja, na mesma hora, que foi violado o item I da Cláusula Quarta do contrato que se faz para registrar um site , que diz claramente que não se poderá usar um nome “que induza terceiros a erro” ou “que viole direitos de terceiros”. Pode mandar até estagiário fazer a petição, com pedido de liminar. Sai na hora, garanto.

Não posso crer que o Governador não soubesse. E não posso entender porque não agiu.

Agora, quando twittou o picareta, fez o picareta bombar na internet. O site não carrega por excesso de acessos.

Fico triste é pelo Josias, um profissional sério, que está trabalhando em pleno domingo e acreditou na cara de paisagem do Governador e embarcou nessa furada, lamentavelmente.

Clarín diz que Kirchner não corre risco de morte

O jornal argentino Clarín publicou agora há pouco que fontes do Hospital de los Arcos informaram que transcorre bem a cirurgia na carótida do ex-presidente argentino Nestor Kirchner e que ele não corre risco de vida. Kirchner sentiu domência nas pernas hoje de manha e os médicos acharam conveniente fazer hoje mesmo uma cirurgia na carótida do ex-presidente e marido da atual presidente Cristina Khirchner.

Nestor Kirchner em estado gravíssimo

Mais um abalo na já frágil conjuntura política da Argentina. De agora há pouco, no Estadão:

O ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) foi internado neste domingo às pressas no Sanatório de Los Arcos em grave estado de saúde, por problemas na carótida direita. O ex-presidente, considerado pela oposição e a opinião pública como o verdadeiro poder no governo de sua esposa, a presidente Cristina Kirchner, teve o primeiro sinal de alerta nesta manhã, quando sentiu as pernas adormecidas. No início da noite, diversos rumores indicavam que o ex-presidente havia sofrido uma “patologia cerebral vascular”.

O primaz da Argentina, o Cardeal Jorge Bergoglio, enviou um sacerdote ao hospital onde está Kirchner para fornecer-lhe a “unção dos doentes”.

Kirchner entrou na sala de cirurgia ao redor das 19:00 horas (20:00 horário de Brasília). A presidente Cristina Kirchner estava no hospital no momento em que a operação iniciou.

PS. Veja na nota acima que o jornal Clarín diz que a cirurgia vai bem e não há rispco para a vida do ex-presidente. Ainda bem.

Até que enfim uma boa do Jobim

Helicópteros atacam na Somália, 1993. Dois deles foram derrubados. As tripulações e inocentes morreram. Virou o filme "Falcão Negro em Perigo" . É isso que o Rio precisa?

Tenho até medo de falar, porque a coisa pode se reverter, mas o Ministério da Defesa está coberto de razão em não autorizar a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro a instalar uma metralhadora de alta potência nos helicópteros policiais. Querem colocar uma tal de “Minimi” que dispara, “apenas” 200 tiros em 15 segundos! Meu Deus, será que é preciso ser um gênio para saber que rajada de metralhadora “varre” a bala uma área extensa, no caso uma favela habitada por gente de bem. E de helicóptero, ainda por cima, para diminuir ainda mais a precisão dos tiros!

Esta semana a população de vários bairros do Rio de Janeiro  se assustou com dois helicópteros armados dando rasantes sobre a comunidade do Morro D. Marta – uma das que receberam as Unidades de Polícia Pacificadora. Felizmente, era apenas a gravação do filme Tropa de Elite 2. Agora imaginem isso com rajadas de metralhadora. Aliás, as pessoas ficaram apavoradas com aquele aparato bélico, porque sequer houve aviso de que haveria uma filmagem.

O pretexto da queda de um helicóptero durante uma operação policial é uma irresponsabilidade. Não existe helicóptero à prova de bala, sobretudo de curta distância e de armas automáticas – fuzis dispararam rajadas, também. E todo mundo já viu serem apreendidos rojões, também. Helicóptero é um tanque de combustível voador e o piloto policial que morreu na queda foi heróico ao conduzir o aparelho até um local vazio.

Se os nossos dirigentes policiais não sabem, o filme “Falcão Negro em Perigo”, que fez tanto sucesso, é baseado numa história real de helicópteros moderníssimos, os BlackHawk, norteamericanos atingidos e derrubados a bala na Somália, em 1993, quando davam cobertura, muito pxóximos, a uma força de terra.  Dezoito americanos morreram e centenas de somalis, também. Foi uma operação numa favela, em Mogadiscio,  também, e não era filmagem, não.

O helicóptero deve, sim, ganhar as câmaras de longo alcance que estão encomendadas, capazes de aproximar imagens de longa distância e transmiti-las para a a polícia, em terra, para orientar sua ação. É justamente por isso que a câmara tem longo alcance, para o helicoptero ficar a uma distância prudente, segura.

O Governo do Estado tem que ter juízo e não insistir nessa idéia de marketing de guerra. Já basta a história do Blair, não vamos querer brincar de George Bush, também.

O que dá começar a repartir o bolo…

O Globo e o Estadão, hoje, trabalham em cima dos mesmos dados da Fundação Getúlio Vargas, mostrando a redução da pobreza no Brasil desde o início do Governo Lula, em 2003.

O Globo, porém, não consegue sair da “visão  de mercado” e vai ouvir…publicitários e dirigentes de empresa, para saber como  estão adptando seus produtos para essa “nova classe média”.Embora seja jornalisticamente válido, é uma pena que algo tão importante para a cidadania seja tratado exclusivamente sob a ótica de seu impacto comercial.

O Estadão tem uma matéria melhor: a entrevista com o economista Marcelo Néri, da FGV, responsável pelo estudo. Depois de avisar logo  que “não é tucano nem petista” (e, pela entrevista, se vê que não é mesmo), ele vai ao ponto:

-Nos números da Pnad de 2001 a 2008, se observa uma queda muito forte na desigualdade. Ela só tinha se alterado significativamente no Brasil uma vez: nos anos 60, e para cima. A desigualdade aumentou na época do milagre econômico. Por isso o (economista) Edmar Bacha cunhou o termo “Belíndia” (segundo o qual, em termos sócio-econômicos, o Brasil seria uma mistura de Bélgica e Índia). Apenas de 2004 para cá, 32 milhões de brasileiros subiram para a classe ABC. Em cinco anos, 19,3 milhões saíram da pobreza. Então, a boa notícia é que dá para transformar o País rapidamente, aos saltos. A má é que a desigualdade continua grande: ela ainda precisa cair três vezes para convergir ao nível norte-americano, que já é muito alto.

Tirar quase vinte milhões de pessoas da pobreza é algo de uma dimensão que se tem dificuldade até de imaginar. Isso equivale, por exemplo, quase a metade de toda a população nordestina. E e fazer 32 milhões de pessoas entrarem no mundo da inclusão é, evidentemente algo ainda mais impressionante.

É muito, com certeza, mas está muito longe de bastar. Como Neri afirma com propriedade, o Brasil, mesmo ficando um país mais justo, ainda continua extremamente injusto socialmente.

Os jornais não publicaram, mas eu fui buscar para vocês os gráficos   elaborados no trabalho do de Marcelo Neri, intitulado Consumidores, produtores e a nova classe média: miséria, desigualdade e determinantes das classes , que publico aí ao lado, mostrando o quanto diminuiram os dois estratos mais pobres de nossa população.

A entrevista de Neri, que merece ser lida, revela ainda algo que sempre sustentamos: o trabalho e o emprego é que sustentam esta mudança.

- O que cresceu significativamente no País foi renda do trabalho, não aquela proveniente dos programas sociais – o que já garante certa sustentabilidade. Outro fator é o aumento da formalização do trabalho. De 2003 a 2009, o número de empregos formais novos foi de 8,5 milhões, o que mostra que o empresário, que é o símbolo e a força dinâmica do capitalismo, está apostando. Parece que a sociedade brasileira como um todo, que sempre aceitou a desigualdade, agora aceita menos.

Digamos, professor, que a elite brasileira está tendo de aceitar a redução da desigualdade. E , reconheça-se, a parte mais humana e mais inteligente dela até percebe que, sem isso, este país será um inferno para todos.

Por que esta elite não pensa senão em negócios. Por isso trata a saída de tantos brasileiros da miséria como um fenômeno de consumo. Não festeja, não se emociona com que seus irmãos passem a viver de forma minimamente digna. Estão sempre arranjando um motivo para justificar a drenagem da renda do trabalho para os grandes negócios.

Grande negócio, para o Brasil, mesmo, é  a história de ex-faxineira Marilene Silva, que o Zero Hora de hoje publica.

“Na tarde do último dia 22 de janeiro, a recepcionista Marilene Cardoso da Silva vestiu uma toga preta e entrou no auditório do prédio 41 da PUCRS para receber o seu diploma de pedagoga. Foram os últimos passos de uma caminhada iniciada em 1997, quando Marilene dois filhos pequenos na época e só com a sexta série do Ensino Fundamental decidiu voltar a estudar.

Depois de finalizar um supletivo para o antigo 1º Grau, cursou o Ensino Médio em um colégio estadual da Capital. Para poupar com a passagem de ônibus, os guris Guilherme e Gabriel ficavam em casa, aos cuidados da avó – e Marilene ia direto do trabalho, na própria PUCRS, para as aulas. Formada, em 2006, decidiu encarar um curso superior. Saía de casa às 5h20min para voltar perto da meia-noite. No orçamento apertado, a faculdade pesava mesmo com o desconto que recebia como funcionária da universidade. Ela é agora a única de uma família de 12 irmãos com diploma de curso superior.

– Não quero ter as dificuldades que a minha mãe teve para nos criar. Isso, só com estudo – explica.

As marlenes silva deste país não precisam de muito. Precisam de trabalho e educação. O resto são valentes para conquistar sozinhas. Viva, Marilene, parabéns! Este país é feito de gente, não de “mercado consumidor”!

FHC parte para briga. Agora, Serra tem um troço

Será que FHC quer medir popularidade com Lula? Se for assim, pobre Serra...

O Zero Hora já disponibilizou o  artigo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publica amanhã nos jornais. E, para desespero dos marqueteiros serristas, que querem fugir a todo custo de uma campanha plebiscitária e de uma comparação Lula x FHC, parte para o ataque contra o presidente.

Chama-o de “tosco”,  de baixar o nível “à dissimulação e à mentira”, e faz uma lista de razões pelas quais seu governo, diz ele, foi melhor que o de Lula.

Diz que “o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.”

E fala que Lula age como Luiz XIV, no auge do absolutismo: Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita”.

A essa hora o comando do PSDB deve estar em pânico, querendo achar alguém para segurar o homem. Com Serra já está ficando difícil, com FHC…

Porque já nem é o caso de discutir o mérito do que escreve. O problema é que a lembrança de FHC “queima” a imagem de qualquer candidato. Dela, escreveu no final do ano Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi:

-Sobre a avaliação de Fernando Henrique, o que mais chama a atenção, atualmente, é quão mal ela resistiu à passagem do tempo. Ao contrário dos bons vinhos, quanto mais tempo passa, pior fica. Os elementos que fizeram com que ela fosse elevada, há poucos anos, como que sumiram. As realizações de seu governo, decisivas para que o país estivesse hoje melhor, ficaram secundárias, frente à antipatia com que é visto pela maioria das pessoas.

Geraldo do bilhete do Arruda é “Barra Pesada”

O  deputado distrital Geraldo Naves, que entregou o bilhete do Governador José Roberto Arruda para o jornalista Edson “Sombra” dementiu a afirmação do advogado de Arruda, Nélio Machado, de que o tal papel tivesse sido “indevidamente extraviado” -  você já viu algo ser devidamente extraviado? Acho que ele quis dizer “furtado” – do gabinete do Governador.

“Eu peguei da mão do governador”, disse ele à TV Globo, reafirmando que o papel era para “acalmar” o jornalista que tinha os vídeos comprometedores.

Os nossos competentíssimos jornais não mostraram – a menos que eu não tenha visto – quem é este deputado Naves. Os brasilienses podem saber, mas não o resto do país.

Ele é apresentador de um programa de reportagens policiais e “mundo cão” chamado Barra Pesada, no rádio e na internet, onde, entre outras delicadezas, exibe fotos de corpos mutilados. Sob o patrocínio, claro, do Banco Regional de Brasília, do Governo do Distrito Federal.

A coisa está mesmo difícil em Brasília. É tudo barra pesada.

Serra vai desistir? Blog da Folha diz que é possível

O blog do jornalista Fernando Rodrigues, reproduz sua coluna na  Folha de S. Paulo de hoje, dizendo que Aécio Neves não sonha em ser vive de Serra, mas sim em ainda ser candidato, no lugar de Serra. E fala que o alto tucanato – o presidente Sérgio Guerra e o senador Tasso Jereissati – duvida da determinação de Serra em enfrentar o desafio depois das últimas pesquisas.

Leia um trecho:

“No PSDB há hoje um quarteto no comando. Além de Serra e de Aécio, apitam no tucanato os senadores Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE), o último presidente da legenda. Jereissati tem suspeitas sobre a firmeza da candidatura de José Serra por causa da aproximação de Dilma Rousseff nas pesquisas. Guerra também já demonstrou o mesmo temor em privado.

Tudo somado, Serra tem ao seu lado muito mais gente pensando que ele vai desistir do que apostando na possibilidade remotíssima de Aécio aceitar a vaga de vice. Nesse cenário, o mineiro parece estar a postos para novamente ser candidato ao Planalto, com Ciro Gomes ao lado. Seria a primeira chapa presidencial pós-Lula e pós-64. Não é à toa que Aécio usa às vezes a palavra bumerangue quando comenta sua desistência da corrida presidencial a favor de Serra.”

E olha que Serra está na frente das pesquisas. Imagine quando ficar para trás.