Estou aqui, estarrecido, lendo a matéria de O Globo com a entrevista do secretário de Conservação do Município do Rio, Carlos Osório.
Claro que com o pé-d’água que caiu na cidade na noite de sábado, haveria problemas, mesmo que não houvesse uma folhinha sequer em um bueiro da cidade. Foi muita água. E uma cidade cheia de encostas e matas como a nossa, está sujeita sempre a isso.
Mas o recém-nomeado secretário começa muito mal quando culpa a população pelo fato de terem se entupido os bueiros. Claro que se joga lixo nas ruas, mas a conservação da cidade está péssima, ao ponto de o prefeito ter criado uma secretaria de conservação e tê-la entregue ao Sr. Osório, que era braço direito do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman.
Qualquer carioca sabe que, mesmo antes da chuva, a cidade está um festival de buracos. Já vinha mal, com Cesar e Eduardo Paes ainda não conseguiu mudar este quadro. Passamos o início do ano discutindo o problema dos “mijões” – uma coisa desagradável, por certo – enquanto as ruas se esfarelam e os ralos se entopem.
Mas pior foi a declaração de que a “cidade amanheceu com apenas duas vias alagadas: a Rua Almirante Alexandrino, em Santa Teresa, e a Rua Novo Mundo ( na verdade, Rua Mundo Novo), em Botafogo”. Ora, secretário, estas duas ruas são ladeiras, com poucos trechos planos – e não totalmente planos . Enxurradas, sempre vai haver. Mas só alagam se estiverem entupidos os bueiros. Os da Mundo Novo, que liga Botafogo a Laranjeiras, pelo morro que separa os dois bairros, não sei. Os da Almirante Alexandrino, onde passei domingo, eram pura lama e folhas. Ontem, eu soube , o pessoal da Comlurb limpou.
No caso de ruas calçadas com paralelepípedos, como essas são, ( no caso da Almirante Alexandrino, apenas as partes mais íngremes), a solução é a colocação de bueiros transversais à rua e não apenas os paralelos, no meio fio, exatamente pelo efeito enxurrada. Eles reduzem o volume e a velocidade das águas e se colocados antes das curvas, onde muda o sentido dos paralelepípedos, ajudam a evitar a formação de crateras.
Na foto que está no post, você vê o que a água fez na Ladeira dos Guararapes, que sobe do Cosme Velho para Santa Teresa, arrancando os paralelepípedos e arrastando um carro. Não é o caso de fazer grelhas transversais, mais largas que um bueiro comum, para não entupirem, com pequenas faixas de concreto protegendo sua “emenda” com o calçamento? Não é caro, se pode fazer com canaletas de concreto pré-moldado, em seções e grades de ferro fundido
Secretário, todos nós, que vivemos nessa cidade, desejamos que o senhor faça uma boa gestão. Como eu falei no caso da operação que a prefeitura quer fazer para recuperar o calçamento das ruas, queremos obras bem feitas. Antes de culpar a população, ande mais, converse mais. Sobretudo, assuma que há um atraso sério nisso, que pode ser comprovado pelas suas próprias – e boas – iniciativas de colocar zeladores verificando o estado das ruas (ia começar ontem, não é mesmo? ) e a de fazer a “Operação Águas de Março”, para limpar bueiros. Veja só, se as águas são de março, março deveria ter entrado com ela concluída, não acha?
Sei que não é sua culpa, que entrou agora. Mas a população carioca é inteligente, gosta de ver pessoas nas quais percebe sinceridade e eficiência, muito mais do que “levar broncas”.
Os governantes servem à população, não o contrário.