Demorou um pouco, porque a gente, para variar, tem que baixar a gravação bruta (53 minutos), cheia de apresentações e intervenções de terceiras pessoas, para reduzir aos 15 minutos que aceitam os canais gratuitos do Youtube, o discurso de Dilma Rousseff, ontem à noite, no Forum Social Mundial, no Rio Grande do Sul.

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A Folha, inexplicavelmente, não liberou para o público em geral a matéria – restrita aos assinantes- em que se registram as críticas da Presidenta Dilma Rousseff à expulsão dos moradores do Pinheirinho, em São José dos Campos.

Evidente que, pela função presidencial, não caberia discursar contra a Justiça e o Governo do Estado de São Paulo, pelas implicações institucionais que isso traria.

Mas, numa reunião com os movimentos sociais, a Presidenta disse o que pensava:

“A Folha ouviu seis participantes do encontro. Segundo eles, Dilma se referiu à operação da Polícia Militar paulista como “barbárie” e disse que não esperava que ocorresse dessa maneira.

Falou ainda que o modelo usado na reintegração, realizada no domingo passado, nunca será adotado pelo governo federal.

Mas, ainda segundo os espectadores da reunião, a presidente disse que o país é uma federação e que o caso estava sob responsabilidade de um Estado e do Judiciário, o que limita a atuação do governo federal.”

Dilma deu o seu recado, na dose “Pinheiro Machado”: “Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo!”

A barbárie de Pinheirinho, como a “blitz” da Cracolândia são escaramuças. Vão tentar atrair a esquerda brasileira para a armadilha de se apresentar como patrocinadora da desordem, da ilegalidade.

Nós temos um governo, que trava batalhas que nós não podemos travar, sozinhos.

Mas há batalhas que só nós podemos travar, não o Governo.

Dilma precisa de nós, como nós precisamos dela.

Temos, por não ter a carga do seu cargo, a liberdade de travar a “batalha das ideias” a que se referiu, num belo artigo, Gilberto Maringoni, no Carta Maior, embora eu creia que a intenção seja mesmo a de firmarem-se como paladinos da ordem e da institucionalidade.

E  perdoem a citação, e que ela doa aos ouvidos que não compreendem a marcha da História, das palavras de Getúlio Vargas, em 1950, na sua posse como presidente eleito:

“Constituís a maioria. Hoje estais com o governo. Amanhã sereis o governo. Não deveis esperar que os mais afortunados se compadeçam de vós, que sois os mais necessitados. Deveis apertar a mão da solidariedade, e não estender a mão à caridade. Trabalhadores, meus amigos! Com consciência da vossa força, com a união das vossas vontades e com a justiça da vossa causa, nada vos poderá deter”

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No dia 28 de novembro de 1969, a Folha (então a “da Tarde“) publicava o nome de Paulo Schilling do de Leonel Brizola juntos. É que em um dos inúmeros processos absurdos que responderam haviam sido absolvidos por falta de provas -e “tambem porque já estão condenados em outros processos por idênticos delitos”, como informa o jornal – enquanto outros, como o primeiro marido da Presidente Dilma Rousseff, Cláudio Linhares, eram condenados.

Juntos, também, os nomes de Schilling e Brizola andaram muitas vezes, como na ação para criar o Master – Movimento dos Agricultores Sem Terra – no Rio Grande do Sul, que seria o precursor do MST. Juntos, também, apareceram nos documentos da CIA que registram as tentativas de evitar o Golpe de 64, quando Schilling, secretário-executivo da Frente de Mobilização Popular, representava Brizola no Rio de Janeiro, enquanto este tentava organizar a resistência no Sul.

No exílio, depois de algum tempo, e sobretudo na volta ao Brasil, ambos tomaram caminhos políticos diferentes, sem jamais perderem os rumos e o respeito pessoal, embora com os trancos próprios da gauchada, que sobrevivem até nos mais gentis.

Ontem à noite, aos 86 anos, morreu Paulo Schilling, jornalista, escritor, ativista e corajoso.

Que eles se encontrem, como suas lutas se encontraram num Brasil tão diferente, com elites tão iguais às que eles combateram por toda a vida.

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Da Agência Reuters, na noite desta quinta-feira:

SÃO PAULO, 26 Jan (Reuters) – Um promotor público no Brasil pretende entrar com uma ação criminal contra a petroleira norte-americana Chevron e seus funcionários no país em questão de semanas, adicionando a ameaça de prisão à ação civil que tramita na Justiça e que pede 20 bilhões de reais de indenização pelo vazamento de petróleo ocorrido em novembro.

A ação civil impetrada no tribunal federal em Campos (RJ) provavelmente incluirá um pedido para o indiciamento criminal de George Buck, presidente-executivo da unidade brasileira da Chevron, e de outros funcionários da empresa, disseram à Reuters três membros do governo brasileiro envolvidos no caso.

Funcionários da Transocean, maior operadora global de plataformas de petróleo e fornecedora da unidade usada na perfuração que causou o vazamento, também deverão ser indiciados criminalmente, afirmaram as fontes, que pediram anonimato porque o pedido do promotor ainda não foi apresentado a um juiz.

Ficará a cargo de um juiz decidir se serão aceitos os indiciamentos.

Leia aqui a matéria na íntegra.

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A taxa de desemprego no Brasil, medida pelo IBGE nas regiões metropolitanas, ficou abaixo de 5%: 4,7% em dezembro, queda de 0,5% em relação a novembro, que já era a menor registrada em toda a série de pesquisas,  desde 2002.

Cinco por cento é, cabalismos à parte, o número que se convenciona atribuir à condição de pleno emprego, pois representaria a rotatividade natural da mão-de-obra.

É um desempenho diante do qual nem a Miriam Leitão consegue ser pessimista. Embora a Folha praticamente esconda a notícia e destaque que o rendimento “perdeu ritmo” em 2011 pois  ao crescer 2,7% reais (descontada a inflação) na média anual, isso foi “quase um ponto percentual a menos do que em 2010, quando o avanço havia sido de 3,8%.”

Embora, lá no último parágrafo da matéria, acabe por registrar o que diz o coordenador da pesquisa de emprego do IBGE, Cimar Azeredo Pereira que “o aumento da renda (ainda que mais modesto), a queda da taxa de desemprego e o avanço da formalização mostram que o mercado de trabalho pouco sentiu os reflexos da atual crise, diferentemente do que ocorreu em 2009″.

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Está dificil escrever sem falar do imenso desastre ocorrido no centro do Rio.

Talvez seja mais adequado chamá-lo de milagre e não de tragédia, porque – embora cada ser humano seja um infinito – podem ser 20 e não são duzentos  ou dois mil os mortos nos escombros dos 32 pavimentos desmoronados dos três prédios e na calçada onde despencaram.

É inevitável pensar no que seria se aquilo tivesse ocorrido uma ou duas horas antes.

Este tempo, tão curto, foi imenso nos seus efeitos.

Foi o tempo do acaso ou da Providência, segundo cada um atribui em sua crença ou não-crença.

Mas o tempo pode ser decisão humana.

É aquele que define como agimos em relação ao mundo e às outras pessoas.

E, neste caso, o maior inimigo da sabedoria é o desejo de espetaculosidade.

É a pressa ou a imprudência que, embora seja preciso esperar os fatos e a apuração técnica para fazer juízos, alimentam o risco da tragédia, mesmo quando o milagre faz com que ela não seja tão imensa quanto poderia ser.

A intolerância, o “é órdi”, o desequilíbrio. A falsa inteligência dos que sabem tudo.

Que diferença dos homens simples que passaram esta madrugada removendo pedras com cuidado, não apenas pela esperança de encontrar vivos, mas pelo respeito com o corpo dos mortos.

Que luta contra o ímpeto e o vagar, para buscar, um a um, a todos!

Aqueles homens sabem que cada pessoa tem direito à vida e, se não a tiverem mais, ao cuidado que  ainda assim merece.

Eles não são doutores, eles não sabem citar em latim, não sabem artigos e alíneas.

Mas sabem que,  pobre ou rico, branco ou negro, vivo ou até mesmo morto, cada ser humano merece respeito.

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Os que defendem que, em nome da lei, seis mil pessoas possam ser tangidas de suas casas, como se fossem animais, sem que, ao menos, antes de fazerem isso, se preocupem em ordenar, também, e com maior firmeza,  que fossem tratados com dignidade, com respeito, que suas crianças fossem abrigadas, que suas vidas – arrancadas dos lares de oito anos – não fossem dilaceradas, deveriam ouvir as palavras de Chaplin nas cenas finais do filme “O grande Ditador”.

Um pobre barbeiro judeu, por ser sósia do ditador Hinkel, ditador da Tomânia, vai parar em seu lugar no momento de um grande discurso de guerra.

Chaplin reproduz, no seu primeiro filme falado, um sentimento que, quem dera, estivesse presente no coração dos homens que têm poder sobre a vida de outros homens, mulheres e crianças.

Quem sabe os doutos desembargadores possam ouvir o que diz o genial vagabundo, a quem Carlos Drumonnd disse: velho Chaplin, as crianças do munto te saúdam.

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Haverá famosos protestando pelos pobres do Pinheirinho?

Correm boatos de que se prepararia uma vaia eco-udenista para a presidenta Dilma Rousseff, hoje, em sua visita ao Forum Social Mundial em Porto Alegre.

O motivo alegado seria a construção da usina de Belo Monte, que estaria despertando a ira de alguns grupos ambientais.

Não creio que isso vá acontecer, por várias razões, sobretudo pela de que seria uma insanidade.

Não porque não sejam dignas de consideração as opiniões de quem, por má informação ou, até, uma interpretação, a meu ver, equivocada do projeto se opõem a ele.

Mas porque não seria coerente hostilizar uma Presidenta que se dispõe a comparecer a um fórum de organizações sociais e expor as metas de seu Governo, espontaneamente.

Não se viu um movimento assim, com tantos globais por ele se expondo, em favor dos miseráveis do Pinheirinho, gritando por dignidade humana para eles.

Porque, caso  haja essa improvável vaia, ela só virá dos lábios de gente jovem e amante da Terra.

A garganta de onde proviria seria outra, tenebrosa, das elites que devastaram este país para enriquecer com as migalhas, as misérias e os despossuídos  de que se serviram para, hoje, parecerem grão-senhores dando lições de respeito à lei.

Ou daqueles, como o presidente do PSDB paulista, Alberto Goldman, que acusa de partidários os que protestam contra o desprezo contra aquela gente, que despejaram de seus corações seu passado de esquerda para, neles, darem lugar aos capitães do mato que, dentro da lei e da ordem escravocrata, faziam da chibata o instrumento da ordem.

Haja o que houver, serenidade. A caravana da História passa, indiferente, a este barulho.

 

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Acabo de ler e ver reportagens sobre dois assuntos, que não sei se são um só.

Uma, no Estadão, sobre as remunerações de até centenas de milhares de reais percebidas por  juizes e desembargadores em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Outra, na Folha e no Viomundo, sobre a violência e o desrespeito aos pobres moradores expulsos do Pinheirinho.

Para quem, ainda criança, viu atearem fogo e lançarem cães contra os favelados da Praia do Pinto e do Morro da Catacumba, há 40 anos,  é como descrer no progresso humano.

Ontem mesmo o Estadão publicava que os nobres desembargadores  consideravam uma violência ser exposto ao público o fato de que alguns deles – nem se discute se com origem legal ou não – terem movimentações imensas em suas contas bancárias, embora nome algum tenha sido revelado, porque as investigações são feitas dentro da prudência da lei, que deve preservar a todos.

E quem preserva essa pobre gente e seus filhos? Crianças, que os senhores juízes, quando são seus filhos, cuidam com tanto empenho, com tantas babás, boas creches, escolas de qualidade e todos os mimos e carícias?

Suas Excelências, decerto, não são monstros e não deixam de saber que – não importa que ganhem muito bem por seu trabalho – do fundamento jurídico da igualdade humana e dos princípios constituicionais da proteção aos direitos humanos e, sobretudo, das crianças. Inclusive e, especialmente, das pobres, que não têm senão o Estado para tutelar seus direitos mais comezinhos.

O que ocorreu em Pinheirinho não se passou no interior de Rondônia, nas selvas do Pará, ou em outro lugar remoto do qual  se pudesse dizer estar além das fronteiras da compreensão moderna da aplicação da lei como instrumento de proteção a direitos – e os sociais sempre se sobrepõem, do ponto de vista do Estado, aos individuais, embora não possam anula-los – e não a privilégios.

A Suprema Corte brasileira, que considerou relevante proteger os direitos do Sr. Daniel Dantas, para que este não fosse exposto com algemas nas mãos, acha correto disparar balas de borracha – nem falo das de verdade, que se disparou também – contra mulheres e crianças? A Justiça brasileira acha correto contribuir para o risco de promover outra Eldorado dos Carajás ali pertinho da maior metrópole do hemisfério Sul?

O que está acontecendo com o Direito e a Justiça deste país?

Quando se trata de pressionar o Governo Federal para conceder aumentos ao Judiciário, há declarações públicas, tratativas políticas o apelo ao bom funcionamento de uma instituição da República.

Quando se trata de defender seus mais frágeis jurisdicionados nem mesmo um apelo à moderação, à humanidade, ao bom-senso. Havia, na ordem mandatória do despejo, alguma determinação de que houvesse assistência social, preparação dos serviços públicos para encaminhar as pessoas a casas, as crianças a escolas, os carentes à assistência devida?

Ou apenas para enxotá-los, como se fossem cães?

Será que precisamos de um novo Sobral Pinto para constranger a Justiça brasileira, pedindo que se aplique aos seres humanos do Pinheirinho a lei de proteção aos animais?

O ovo da serpente, ao qual se referiu a Ministra Eliana Calmon, eclodiu em São José dos Campos. Um Judiciário – porque seria desonroso chamar a isso de Justiça – que é algo que já não se rege  nem pela moralidade e nem mesmo pela humanidade.

Há um campo de refugiados em São José dos Campos. Lá estão os flagelados. Não da seca, não das chuvas.

Os flagelados do Judiciário brasileiro, que repete a olímpica indiferença de Maria Antonieta.

 

 

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Já era bem claro, para quem sabe, pelo tal “Brado Retumbante” da Rede Globo, que foi “casualmente” lançado.

Mas FHC, o decano do tucanato, tratou de explicitar, na entrevista à revista inglesa The Economist, que a Folha reproduz.

A tática para 2014 está montada: Aécio para a presidência, que livrará o PSDB do quarto massacre, pois, pela idade e candidatura inédita não fará vergonha; Alckmin para o Governo de São Paulo, para tentar fazer com que o provável naufrágio nas eleições paulistanas deste ano atinja o convés superior.

José Serra é impiedosamente moído pela fraternidade de tamanduá do ex-presidente.

Que, aliás, “prevê” o obvio: “uma briga interna muito forte no PSDB, entre Serra e Aécio”.

Briga na qual, agora, ele assume publicamente o lado de Aécio.

Serra, a esta altura, é pura bile.

Ele atribui a Aécio o inferno astral que enfrenta com as denúncias da “privataria”.

E não admite a ideia de se tornar o “boi de piranha” para que FHC atravesse o rio com Aécio de grumete.

Enquanto ele, inservível como candidato futuro, é destroçado como o grande beneficiário dos negócios da privatização.

Serra não enffrentará isso de forma aberta, polemizando.
Não é da sua natureza o combate, mas a intriga e a perfídia.

Fernando Henrique julga-se Luís XV, cohecido como “o Bem-Amado”, que arruinou a França.

Serra de outra natureza, é o homem (de)formado na penumbra, nas negaças, no jogo palaciano.

Sente que há uma pinça se fechando sobre ele, para removê-lo de cena.

Não lutará como o leão que não é. Mas como a víbora que sempre foi.

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