Sala de controle de Itaipu, onde se monitora oferta e demanda de energia

Sala de controle de Itaipu, onde se monitora oferta e demanda de energia

Não dá para dizer com certeza o que se passou com as linhas de transmissão de energia elétrica do país, ontem, para provocar o gravíssimo “apagão” que atingiu 10 estados brasileiros. Pode ter sido um acidente – que só agora, com o dia claro, se possa identificar. Mas nisso há um dado positivo: depois de alguns anos de bonança, o incidente volta a chamar a atenção para os problemas do setor elétrico brasileiro, que hoje opera segundo um modelo – se é que se pode chama-lo assim – fadado ao desastre.

Desde o governo Fernando Henrique, com a privatização das distribuidoras de energia e de parte das geradoras, vivemos uma verdadeira torre de babel entre os diversos atores que passaram a fazer parte do sistema elétrico nacional. Como a energia parte de vários lugares para ser consumida em toda a parte e os fluxos de produção (sobretudo a hidrelétrica) e demanda variam muito, há uma coordenação – privada- que comanda as ordens de carga atribuídas a cada geradora e usina. Chama-se Operador Nacional do Sistema, e ele é quem as determina.

Acontece que quase todo o sistema é interligado e, mesmo as ordens de operação sendo coordenadas de um só ponto, as decisões de investimento não são. Cada geradora  e transmissora tem suas próprias políticas. Nem mesmo Furnas, a maior empresa de transmissão, opera mais sob ordens exclusivas do Governo, pois muitas das suas linhas, agora, são feitas em consórcio com empresas privadas.

É de Furnas a responsabilidade de operar o chamado “linhão” de Itaipu, um marco na engenharia nacional por se tratar de uma linha de transmissão em corrente contínua, em lugar da corrente alternada utilizada nas instalações elétricas. O uso da corrente contínua permite transmissões de 600 mil volts com perda muito menor de energia ao longo de seus quase mil quilômetros de extensão.

Embora Furnas seja uma empresa de altíssima capacidade técnica, internacionalmente reconhecida em matéria de transmissão de energia, hoje ela tem que cortar custos e competir como qualquer empresa privada. E cortar custos numa empresa como esta significa, algumas vezes, reduzir as reservas de segurança, equipamentos ociosos necessários só em emergência, etc… No caso do linhão de Itaipu, por exemplo, a transmissão em corrente contínua – que, embora muito mais eficiente, é mais sujeita a panes – isso significa investir e deixar ociosos – “de plantão” – uma enorme quantidade de equipamentos. Até torres de transmissão – semimontadas – são deixadas ali, imobilizada, esperando o momento de, quem sabe, serem utilizadas. Tudo isso custa, e muito.

A verdade é que a lógica do nosso sistema elétrico hoje é, essencialmente a do “quem-cobra-menos-e-o-que-é-mais-barato”. São situações assim que nos levam, por exemplo, a esta decisão ambientalmente desastrosa de fazer a alimentação da Siderúrgica do Atlântico através de uma termoelétrica a carvão – que vai emitir quantidades imensas de CO² na atmosfera. É que vão produzir energia elétrica para os alto-fornos a partir de parte do carvão trazido da Africa para o uso propriamente siderúrgico – o aço é uma liga entre ferro e carbono -, pois esta operação de importação é casa com a exportação de minério de ferro, o que deixaria espaço sobrante nos porões dos navios, então completados com carvão para a termoelétrica. Se a energia é mais suja ou mais limpa importa menos do que se ela fica mais barata ou mais cara.

A criação de alternativas de geração mais próximas aos centros de consumo aliviaria muito a carga de nossas linhas de transmissão. Mas, para que isso aconteça, é preciso investimentos que a iniciativa privada não vai bancar, como usinas de biomassa – aproveitando, em Sao Paulo e Minas, sobretudo, a associação com aa produção agrícola – termoelétricas a gás – nas áreas litorãneas onde, fatalemente, o pré-sal trará novas disponibilidades deste combustível – e até mesmo concluindo Angra 3, cujos equipamentos, importados há muitos anos, só não se perderam pelo imenso zelo com que os tratam os trabalhadores e dirigentes da Eletronuclear.

Postado por 5 comentários

5 Comentários até agora.

  1. Carlos Toledo says:

    Só tem um jeito, ou buscaremos de todas as formas para mobilizar a sociedade e banir de vez este sistema ditatorial totalitario destes Governos quais só sabem mentir mentem que vivemos em uma democracia.
    Se aceitarmos o continuismo iremos todos afundar ao atraso.
    Veja o que disse o amigo João Rossi sobre a responsabilidade da empresa que se quer tem alguem la para cuidar,isto se deu pela tal estabilidade de emprego criada pelo senhor Jose Richa PR inresponsavel, acabaou com funcionamneto da coisa publica no pais aonde se viu isto se viu errou, deveriamos ter sim uma Lei Trabalhista moderna e renovada valendo para todos os trabalhadores, deste pais pagando um salario justo e não esta vergonha enganaçãoja que um salario minomo deveria estar muito acima de 1000 reais.
    Se a constituição diz que os direitos sãos todos iguais porque então diferenciar os trabalhadores do poder publico, qual alias esta proposta deveriamos estabelecer junto com outras reformas que FHC =LULA prometeram, a exemplo da Tributaria, Administrativa, reforma politica qual devria ser com voto Distrital, mandatos para cinco ou seis anos sem esta porcaria de reeleição, sem outra disgraça da imunidade fóro prevelidiado para todos os poderes, valendo inclusivetambem, para entidades de classe, sindicatos etc, este pais, encontra se em desconstrução, uma vergonha da humanidade, Lula o governinho das contradições, não foi eleito para se comparar a FHC ou nem ser melhor que ele, mas sim para ser Melhor que Getulio Jango ou no minimo chegar a 50 % destes, PT do chefão Zé Dirceu dono Projeto poder manda chuva em todos deste PT cria do General Golbery do Govreno costa e silva para tirar o direito do povo Brasileiro ter eleito Leonel Brizola Presidente do Brasil qual se não tivessem estes trairas traido o povo hoje teriamos uma nação patriota e fórte e justo para com seu povo .

    PDT candidatura propia nomes tem de sobra só para siatar alguns Crstovam Burque, Ministro Lupi. Brizola Neto,Senador Osmar Dias, vamos la companheiros seja visionarios pelo menos um pouquinho como foi Mestre Brizola
    PDT, PSB,PSC,PSOL,PV na cabeça não tem pra niguem é pra frente que se anda.

  2. Paulo de Tarso says:

    Apagão no fornecimento de água em São Paulo

    Soa estranho o apagão de fornecimento de agua em Sao Paulo pela SABESP.
    Pela falta de energia não puderam bombear agua dos reservatorios para a distribuição.
    Até as 20hrs de hoje ainda haviam dois milhões de paulistanos sem agua.
    Não vi ninguem reclamar disso, nem mesmo o Jornal da Globo, Record, Bandeirantes, CBN, Jovem Pan,
    Será que a SABESP não possui geradores de energia eletrica de emergência para fornecimento de agua, que é um serviço de utilidade publica?
    Hospitais, centrais de telecomunicações, aeroportos etc possuem e a SABESP não possui?
    Olha governador já esta na hora do senhor providenciar isso não acha?
    Tremenda falta de responsabilidade e comp´romisso com a prestação de serviços públicos essenciais.

  3. João Rossi Parreiras says:

    E sobre o ítem número 4, explico: depois de meia hora ligando para a Ampla e dando sinal de ocupado, fui até a sede da empresa registrar minha reclamação, que é extremamente necessária caso algum aparelho doméstico tenha sido danificado, e ao chegar lá constatei que a sede da empresa não tinha sequer um gerador e/ou uma pessoa responsável para receber nenhum cliente. Apenas um guardinha, desculpem o termo, de bosta, sem o menor preparo para nada, talvez nem para proteger o patrimônio da empresa.

  4. João Rossi Parreiras says:

    Esse apagão levanta várias questões:

    1. Todo município de médio e grande porte (pelo menos) já deveria ter leis de incentivo à geração de energia solar e/ou eólica nas residências;

    2. Todo município com mais de 100 mil habitantes já deveria ter uma política de produção de energia elétrica a partir do gás metano produzido nos lixões, que deveriam ser aterros sanitários;

    3. Já deveria haver uma lei federal regulamentando a compra da energia elétrica excedente produzida por municípios e residência pelas distribuidoras locais, como existe, por exemplo, na Alemanha, a preços de mercado;

    4. Ficou claro que as distribuidoras, ou pelo menos a Ampla, não têm a menor condição de prestar um atendimento aos clientes decente em casos com esse.

  5. Carlos Toledo says:

    O tempo e o mais sabio dos conselheiros, temos dito que este governo é nada mais do que a continuidade de uma desordem na forma de se governar o pais aonde ninguem sabe de nada quando aparece um problema como é casa dos pagaões pelo desmando da falta de gestão destes Governos dos ultimos governos que sucederam Jucelino kubischeki que herdou uma era de getulio Vargas,caindo por terra o papo de que Lula Dilma é diferente de FHC ou seja muita gente no poder pouca compentencia, adiantando gostaria de chamar atenção para qure alguem reveja este bla bla bla sobre pré sal e que enchergue que temos sol, pro accol, bio disel etc a vontade para se movimentarmos muito mais rapido e deixar este sistema atarsado de continuarem danificando o planeta com as extrações de petróleo.
    As dificuldades servem para nos apontarmos novos caminhos quem sabe assim reflitão.

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