Em toda a Bolívia, eleitores ficaram horas na fila para sari da condição de "observados" criada pela Justiça Eleitoral do país

Em toda a Bolívia, eleitores ficaram horas na fila para sari da condição de "observados" criada pela Justiça Eleitoral do país

O Presidente da Bolívia – e candidato à reeleição no próximo dia 6 – Evo Morales protestou contra a atitude da Justiça Eleitoral daquele país de colocar “sob observação” mais de 400 mil eleitores, cerca de 8% do eleitorado nacional, que se submeteram ao recadastramento promovido no mês passado.  A maior parte dos “observados” é de pessoas que apresentaram como documento a carteira de identidade expedida pelo Governo, a partir de 2006, gratuitamente e com menos exigências, para resolver o grave problema de “inexistência” civil dos indígenas das regiões andina e amazônica da Bolívia.

Morales disse ontem, num comício no estado de Pando, que sente “que o órgão eleitoral está provocando o povo e a resposta a essa provocação deve ser o comparecimento às urnas”. Ontem, imensas filas se formaram diante das unidades da Justiça Eleitoral boloviana. Milhares de pessoas, em geral pobres, ficaram horas sob o sol para provar que estão em condições de votar.

” tenho todos os documentos, até o de que votei este ano, diz, no jornal la Razón, uma eleitora, Teresa Catalina Yáñez, moradora de La Paz impugnada por não ter certidão de nascimento. Ela passou o dia inteiro na fila para provar que tinha seu registro civil regular.

O Movimento ao Socialismo, partido de Morales – que, segundo as pesquisas, pode vencer a eleição já no primeiro turno – apresentou recurso contra a medida da Justiça Eleitoral. Diante da confusão que se formou em todo o país, a Justiça Eleitoral, segundo outro jornal boliviano, o La Prensa, decidiu anular a exigência de apresentação de certidão de nascimento para os maiores de 70 anos, o que não parece resolver nada, pela média de idade das pessoas que lotavam as filas por toda a Bolívia.

Apesar de não terem sido publicadas amplamente as listas de “observados” e de terem entrado em colapso os sites onde podem ter acessadas, o prazo para regularização termina quinta-feira e as eleições são no domingo.

O cheiro de armação política tomou conta da Bolívia.

“Estão provocando o povo, para que o povo se mobilize para então  justificar a suspensão das eleições nacionais”, acusou ontem Evo Morales.

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