As declarações do presidente da Light, José Luiz Alquéres, de que os problemas de fornecimento da empresa tiveram esta enorme repercussão porque atingiram o Leblon, Ipanema e Lagoa, dizem apenas meia-verdade.
É óbvio e seria hipocrisia deixar de reconhecer que, sim, ganham mais espaço na mídia por serem lá do que têm os “apagões” na Baixada. Mas o que não diz é que os serviços que a empresa presta ali são os melhores de toda a sua rede, e mesmo assim falharam terrivelmente. Agora, imaginem como falham nas localidades onde a Light investe muito menos!
Mas ele não para por aí. veja o que diz na matéria de O Globo:
“Doze mil clientes no Leblon repercutem muito mais do que 12 mil clientes na Baixada. Não é que eles (no Leblon) sejam mais ou menos importantes. Mas é que eles vivem numa área mais abafada, têm que dormir sem ar-condicionado, e são clientes naturalmente mais exigentes e com maior acesso à reclamação”
Como, Dr. Alquéres, “numa área mais abafada”? O senhor tem alguma idéia do calor que faz em Bangu, Realengo, em Nova Iguaçu? Em todos os bairros que não têm nem a ventilação marinha? Lá o pessoal também tem ar condicionado, comprado a prestação, ou então um ventiladorzinho para aliviar o calor e espantar os mosquitos, sabia?
O vice-presidente da empresa, Ronnie Vaz Moreira, foi pela mesma linha: “são clientes do coração da Zona Sul, são 12 mil que falam alto”. Os clientes das áreas pobres não falam alto: gritam, e não são ouvidos. Alguns chegam a fechar o trânsito, levar bordoada da polícia, e nem assim adianta.
Muitos, nem sequer sabem dos seus direitos e, quando sabem, estes não são respeitados.
Na sua biografia, na página da Associação Comercial, José Luiz Alquéres diz crer que “se as pessoas pudessem compartilhar o mesmo grau de conhecimento, se poriam de acordo mais facilmente sobre o que fazer para melhorar as suas vidas, sem guerras e rivalidades medíocres”.
Estou de pleno acordo, Dr. Alquéres. Quem sabe a Light começa a praticar estas idéias na sua prestação de serviços, abolindo indicadores de qualidade dez vezes maiores para as áreas ricas que para as áreas pobres. E olhe que, como o senhor mesmo diz, se os mais ricos sofrem com a Light, os mais pobres vivem um suplício com ela.








Isso é iniciativa privada.
Ué ? Não é bom ?
Aqui no Paraná as estradas de ferro foram “entregues” à ALL.
Eles faturam e não fazem melhorias. Tanto que o novo ramal de Maringá e outras obras de infraestrutura terão que ser pagas pelo Estado.
Assim até eu quero.