Depois do caso chocante do capitãimpunidadeo da PM que deixou um rapaz baleado agonizar para pegar o par de tênis e o casaco que lhe roubaram, esta notícia escabrosa da moça extorquida e baleada por PMs, que a atiraram de um penhasco, na noite de sexta-feira. Não adianta acusar os policiais de “monstros”, de “bandidos”. Podem ser, mas o que está acontecendo com as instituições de segurança pública para que seus integrantes sejam levados a cometer estas barbaridades?

Isso, claro, não atenua a gravidade do ato indicidual de cada um deles. Aliás, é curioso que nenhum destes crimes foi cometido por um policial sozinho, mas por uma dupla.

O que acontece é que a histeria da mídia, dos governantes e de alguns dos dirigentes desta área está abrindo espaço para este tipo de atitudes. A sociedade está sendo mergulhada numa cultura de violência e a polícia num estado de “onipotência”. Os governos se esmeram em produzir exibições de força, como as encenações ridículas, para alegria de fotógrafos e cinegrafistas,  em pontos turísticos para “treinamento antisequestro”.

Em nome do combate ao tráfico, autoriza-se informalmente o “vale-tudo”.  Desencadeia-se uma sequência doentia. A moça estava com dinheiro e morava no morro. Logo, era traficante. Se era traficante, não é um ser huimano. Se não é um ser humano, pode levar um tiro de carabina no rosto e ser jogada de uma pirambeira.

A única coisa fora da lógica nisso foi a moça ter sobrevivido. Se morresse, ‘ficaria tudo bem”. Ela seria vitima de uma guerra de quadrilhas, de bala perdida, etc…

Agora, vamos seguir de novo a lógica. O governador vai chamar o policial de “monstro”, o secretário vai prometer agilidade no inquérito e …

Os bons policiais militares – e podem crer, são muitos – precisam entender que o “clima de guerra” está destruindo a integridade da corporação. Na guerra, há botim, há a cultura do “saque” ao inimigo.

Insuflam a polícia. Distribuem fuzis, metralhadoras, organizam-se operações bélicas com tropas que se assemelham a divisões inteiras entrando no “território inimigo” das favelas. Dá notícia num dia, como o da moça morta com seu beb~e no colo, na favela Kelsons, na Vila da Penha. Depois some, “não dá nada”.

É mais importante para melhorar a pol´cia investir R$ 100 milhões num helicóptero blindado do que na preparação e no acompanhamento psicossocial e disciplinar de seus efetivos.

Cria-se o ambiente onde, aí sim, os pequenos desvios de conduta – como atirar em inocentes – são parte do preço a pagar pelo “estado de guerra”.

Daí para este tipo de barbárie, é um pulinho.

Postado por 2 comentários

2 Comentários até agora.

  1. Wilson says:

    Prezado Deputado,
    Já comentei aqui no seu blog que essa polícia facistóide recebe consultoria e treinamento de israelenses ligados não só a empresas privadas que exploram a indústria da guerra, mas também ao próprio (e hediondo) estado israelense. Israel sempre comeu dos dois lados: seu aparato de guerra explora oportunidades comerciais seja dos traficantes nos morros, seja do governo do Estado do RJ e de outras unidades federativas. Eles fizeram e continuam fazendo isso no Sri Lanka, na Colômbia, no Perú, no México e em vários países africanos operando em duas frentes: uma oficial que negocia com o estado em questão e outra clandestina que vende para os criminosos e narco-terroristas armas, tecnologia e serviços de treinamento. O resultado é a israelização das polícias e a palestinização das vítimas, aumentando absurdamente a taxa de letalidade das operações policiais que se tornam operações de guerra. E guerra assimétrica. A maioria dos brasileiros ainda não percebeu que a polícia – enquanto instituição – é parte do problema. E está se tornando a maior parte dele cada vez mais.

  2. Neyde Helena Castro says:

    Querido Deputado Brizola Neto, o problema está em todo o Brasil. Na minha pequena cidade, Itanhandu, a policia militar não faz nada. O crack já chegou aqui, os pequenos roubos já estão acontecendo e a polícia – civil e militar – o que fazem? Nada, literalmente nada… Qual é a solução? Tornar nossas casas barricadas contra os meliantes? (??), Cercar nossos muros com arame farpado como fez uma amiga? Recuso-me a fazer isso, porque vivo em uma cidade de quinze mil habitantes. Seu avô trouxe a solução: escola full-time. Enquanto isso não for implantado inclusive em minha cidade, estaremos sujeitos a todos os tipos de factoides fabricados por essa gente que não pensa no Brasil, que só vê seu próprio umbigo…
    DILMA-2010.

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