Ontem, no encontro que manteve com empresários brasileiros e alemães, na sua visita àquele país, o presidente Lula disse ao presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro, dizendo que descobriu, ao chegar ao Governo, que que o Brasil “era um país capitalista sem capital”, referindo-se à falta de crédito na economia. Lula lembrou que, quando chegou ao poder, o volume total de crédito na economia era igual ao que só o Banco do Brasil tem hoje em carteira.
O gráfico ao lado ajuda a compreender o que disse Lula. Todo mundo sabe que o negócio dos bancos, no Brasil, jamais foi emprestar dinheiro para ajudar pessoas ou empresas a produzirem ou consumirem, mas ganhar dinheiro às custas das altas taxas de juros pagas pelo Tesouro Nacional. Aliás, você pode ver aí que, nos primeiros anos do governo Lula, com a continuidade da política de juros altos, a percentagem do crédito sobre o volume total do Produto Interno Bruto pouco variou.
Mas e a “bolha” de crédito, com que costumam avisar – sobretudo os banqueiros – de que há muito dinheiro sendo emprestado e, por isso, é preciso subir – como são “desinteressados”… – os juros.
Conversa fiada. Mesmo o volume recorde previsto para 2010 ainda ficará muito abaixo do nível de países desenvolvidos . Nos Estados Unidos, o volume era de 187% do PIB no ano passado. No Japão, mais de 130%. O mesmo acontece entre os ditos “emergentes”: na China, a percentagem 123% e na Índia, 78%. No crédito imobiliário, que detonou o processo de crise mundial, o cenário é ainda mais gritante: no Brasil, é só 3% do PIB, nos EUA, mais de 50%.
O Brasil precisa ter crédito para crescer. Se os bancos privados não gostam de emprestar, que o Estado o faça. Até porque, mesmo cobrando juros menores, o lucro é enorme, como provam os resultados recentes do Banco do Brasil e da Caixa.








Artigo escrito para o Jornal Hoje em Casca/RS
A QUESTÃO DOS JUROS
Agiotagem é uma palavra branda para o que o corre no Brasil em termos de práticas financeiras. Não há economia saudável que consiga sobreviver dentro de parâmetros irreais dos custos do capital financeiro. Trata-se de um processo histórico e acentuado com o advento da globalização e do financismo descontrolado. A orgia financeira foi o carro chefe desse modelo global sem controle, puramente especulativo.
Com o advento da crise agora começamos de fato a nos preocupar com o custo do dinheiro e dos lucros bancários. Em boa hora divulga-se as taxas de juros. E o governo puxando a corda obriga as instituições financeiras a proceder redução das taxas dos empréstimos. Por isso senhores e senhoras que é importante termos instituições públicas,estatais. O Estado assim tem assim instrumentos para inserção na economia. Pelo primeira vez estamos fazendo um discussão séria no Brasil a respeito do tema no âmbito urbano, mas ainda muito longe da profundidade que merece, por sua importância.
Não nos esqueçamos que esse assunto já foi tema de debates há mais de uma década nas reivindicações dos movimentos sociais e do sindicalismo rural. Quando exigiram e conseguiram em BRASÍLIA crédito para custeio e investimento a juros subsidiados. O PRONAF não caiu do céu, foi “cavocado”. No inicio a juros altos mas com o tempo a baixas taxas de 2(%) por cento ano. Uma coisa fantástica.. Agricultores familiares tomando esse dinheiro transformaram paisagens rurais. Não é por acaso que a agricultura familiar é ainda responsável por mais de 70% do que vai na mesa do brasileiro. Aqui em Casca nos últimos anos foram mais cem milhões de R$ aplicados nos meio rural e que deram resultados significativos. Sem sombra de dúvida houve DEMOCRATIZAÇÃO DO CRÉDITO RURAL. Ninguém ficou de fora.
O mesmo deveríamos conseguir no meio urbano. Nas cidades há inúmeros empreendedores a espera de crédito mais barato e mais adequado às sua pretensões. Seguidamente as EMATER(s) desse Estado são procuradas pelo pessoal da cidade em busca de recursos da agricultura e por quê ? Pelo juro subsidiado. As taxa urbanas ainda são exorbitantes e lesivas.
A grande transformação que falta e que poderia ser feito é a DEMOCRATIZAÇÃO FINANCEIRA no meio urbano. Deveríamos ter uma espécie de PRONAF URBANO. Poderíamos chamar de PRONAMIF ( Programa Nacional de Apoio a Microempresa Familiar), com fundo de aval solidário e com participação dos municípios. Teríamos certamente um revolução em curso no Pais. Afinal, 93 %das empresas do Brasil são microempresas. Mas estamos longe ainda disso, muito embora a discussão tenha iniciado, mas muito mais para gastos de consumo do que para investimento, onde é o cerne da questão.
O que as lideranças políticas e empresariais, pensam disso? Essa é a questão: possibilitar acesso a recursos financeiro mais baratos para investimento. Ou vamos ficar discutindo adornos, confetes e nunca a essencialidade. Exemplos tem no mundo todo. Um economista bengalês ganhou prêmio Nobel em 2006 por ter inventado o microcrédito: MUHAMMAD YUNUS.
O exemplo do PRONAF ta na cara. A FETAG e o STR de Casca podem explicar com funciona e como eles lutaram para conseguir.
ANTONIO CEZAR PERIN
Evoluimos,mas precisamos avançar mais..Muito mais. Especilamente no apoio aos pequenos empreendimentos. Isso para o pequeno agricultor avançou, via PRONAF..MAs para o pequeno empreendedor urbano ta feio ainda..
Deveríamos criar uma linha especial . Tipo assim PROGRAMA DE APOIO A MICROEMPRESA FAMILIAR( PRONAMIF)
Os bancos gostam do mais fácil: explorar e ganhar de quem está em dificuldades. Cabe ao Estado interferir fortemente regulamentando e corrigindo desvios.