Carta Capital: Brasil tem a luz mais cara do mundo

Não tenho ainda acesso ao conteúdo da Revista Carta Capital que está indo às bancas, mas tenho aqui comigo um documento, que estava lendo para postar sobre o assunto, que confirma e analisa a informação da revista. E é um documento do BNDES, justamente o órgão governamental que foi usado no Governo Fernando Henrique para a desastrosa privatização do setor elétrico.

Como a “Carta” trouxe o tema à baila, vou reproduzir alguns trechos dos artigo publicado pela Revista do BNDES em junho do ano passado, que não precisa mais do que seu próprio título para se explicar: “Por que as tarifas foram para os céus?” Leia só:

(…)13 anos após o início da privatização, temos uma das mais altas tarifas do mundo e o sistema perdeu confi abilidade. A situação do setor elétrico não é tão grave como foi no final do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), mas uma coisa é certa: qualquer tipo de solução para a crise de energia – seja defi nitiva ou emergencial – implica revelar que o modelo de gestão do sistema elétrico implantado no governo FHC, e ainda seguido, embora reformado, não funciona sem soluções emergenciais e socorros do governo. Se essas soluções são necessárias mesmo a baixas taxas de crescimento, é evidente que esse modelo nunca será capaz de garantir energia para taxas altas de crescimento.

tarifas

Desde 1995, o valor das tarifas energéticas quintuplicou. O Gráfico 1 (acima) deixa claro que a evolução dos preços energéticos não pode ser explicada por qualquer dos componentes tradicionais de seu custo. Pelo contrário,é talvez o preço de serviço público que mais se distanciou dos índices de inflação, como o IPCA e, mesmo, o IGP-M.”.

 

(…)fica clara a elevada lucratividade das principais distribuidoras e da principal geradora privada de energia elétrica do Brasil. Excetuando-se o ano de 2002, em que os efeitos da redução de consumo referentes ao apagão foram sentidos pelas empresas, todos os outros anos apresentam elevados lucros. Em 2006, seus lucros somaram R$ 5,3 bilhões.
É importante ressaltar que esses lucros são acusados de “insuficientes” porentidades do setor. Há um estudo do Instituto Acende Brasil que afirma que os elevados lucros não remunerariam adequadamente o capital dos acionistas.Isso pode até fazer sentido se comparamos a rentabilidade com as taxas de juros médias no Brasil nos últimos 12 anos. Dificilmente, um serviço
de utilidade pública intensivo em capital e de longo prazo de maturação poderá remunerar significativamente em termos de juros sobre juros mais do que a inacreditavelmente alta taxa Selic imposta ao país nos últimos 15 anos. Se esse é o caso, é evidente por que as empresas públicas podem produzir e distribuir energia por menores custos.”

Quem quiser ler o artigo, na íntegra, pode acessa-lo aqui, em formato pdf. É muito bem escrito, claro e conta a história do sistema elétrico brasileiro, que começou privado e estrangeiro, entravou nosso desenvolvimento e, depois de ser estatizado e tornado eficiente, voltou à mesma fórmula que enforcou o país no passado.


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