Irineu_Evangelista_de_SousaHoje, 28 de dezembro, completam-se 196 anos do nascimento de um grande brasileiro. Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, foi, com certeza, o mais dinâmico, polêmico, arrojado e pioneiro empresário brasileiro. Um homem que veio do nada – garoto enjeitado trabalhando num armazém – formou um grande império empresarial e ao nada voltou.

Há, com Mauá, uma história que narra seu biógrafo Jorge Caldeira, no livro “Mauá, o Empresário do Império”, que descreve com perfeição o desprezo que  parte da elite brasileira tem pelo trabalho.

No lançamento da pedra fundamental da estrada de ferro Rio-Petrópolis, empreendida por Mauá, o Imperador Pedro II, presente ao evento, foi convidado marcar o início das obras, colocando com uma pá de prata, num carrinho de mão lavrado em jacarandá, um pouco de terra e carregando-a por alguns metros. A ousadia de Mauá chocou a todos, por contranger D. Pedro a realizar um trabalho braçal, coisa típica de escravos. Diz-se que o Imperador nunca perdoou Mauá por expô-lo dessa forma ao ridículo. Mauá, aliás, foi um abolicionista convicto.

Parece incrível que, quase dois séculos depois, uma parte de nossa elite tenha a mesma relação de desprezo com o trabalho, criticando o Governo Lula não por seus erros e desvios, mas por ser chefiado por um operário nordestino.

Fica como sugestão ao governo brasileiro que comece a organizar as comemorações do bicentenário do nascimento de Mauá, para ver se uma parte do empresariado brasileiro se espelha em suas ousadias e investe com a mesma fé que ele investiu no progresso brasileiro.

No seu, excelente livro: Mauá, O Empresário do Império, Jorge Caldeira relato um episódio que expressa o desprezo pelo trabalho que existia na sociedade daquela época e que ainda persiste. Conta ele que no lançamento da pedra fundamental da estrada de ferro Rio-Petrópolis, empreendida por Mauá, Sua Majestade Imperador Pedro II, presente ao evento, foi convidado a simbolizar o início das obras, colocando com uma pá de prata, num carrinho de mão feito em jacarandá, um pouco de terra e transportando-a por alguns metros. Esta ousadia do Barão, foi considerada pela imprensa da época, um constrangimento para D. Pedro, que teria sido forçado a realizar um trabalho braçal, coisa de escravos. Dizem que o Imperador nunca perdoou Mauá por expô-lo dessa forma ao ridículo.
Postado por 10 comentários

10 Comentários até agora.

  1. [...] dia eu disse aqui que a elite brasileira odeia os pobres. E odeia mesmo. Faz mais de uma semana – e eu venho me [...]

  2. [...] dia eu disse aqui que a elite brasileira odeia os pobres. E odeia mesmo. Faz mais de uma semana – e eu venho me [...]

  3. Ainda hoje não se tem um empresário com a visão de Irineu Evangelista de Souza. Cada um de nós temos uma grande dívida para com essa iminente figura de nossa história que foi Irineu Evangelista de Souza.

    Se o imperador ouvisse suas palavras nosso país teria uma outra história!

  4. [...] dois destes trabalhadores, de maneira simples e sincera, desejavam um feliz 2010 a todos. É como se disse aqui, outro dia, parte da elite brasileira acha que trabalho não é uma coisa lá muito digna. Procurei no site da [...]

  5. Por falar em correção: não é falo, é faço. Troquem o l pela cedilha, por favor.

  6. Falo uma correção: a elite tem horror ao trabalho pesado, adora “trabalhar” atrás de uma mesa e dar ordens. Operário nordestino, o Lula? Deixou de ser faz tempo, desde que se tornou presidente dos brasileiros e, em datas mais recentes, estadista de projeção internacional, homem que assombra o mundo.

  7. Edison Carvalho says:

    Esse Bragança é mesmo de triste memória!!!!!!

  8. everton says:

    O mandato do vereador Leonel Brizola Neto se antecipou e promoveu na câmara uma entrega de moções em homenagem ao memorial visconde de Mauá. Na mesma cerimônia foi sugerido criar um museu/memorial permanete ali nas imediações do porto, onde hj se desenvolve o projeto da prefeitura de reurbanização chamado Porto Maravilha. A idéia parece interessante tendo em vista ser ali um local característico e representativo das ações de Mauá e tendo em vista que seria mais um espaço cultural para nossa cidade.

  9. Urias Macedo says:

    A verdade é que certa parte do povo brasileiro que descende de imigrantes, se esquece que o brasileiro do sertão, do nordeste, dos rincões dessa imensa terra, aqui chegou primeiro. Descendentes de imigrantes se acham superiores e destilam seus preconceitos abertamente. Falta de sabedoria que nossa gente humilde tem.

  10. Leonardo. says:

    É, deputado, eu iria além, diria que por descriminação até acertos são criticados.

Comente



TIJOLACO.COM | Bernardo Links & Will Marinho