A Receita Federal divulgou agora à tarde que nada menos de 2.591 acessos aparentemente imotivados na Delegacia de Mauá, em São Paulo, por se tratarem de pessoas domiciliadas fora da área jurisdicional daquela unidade, 1º de agosto e 8 de dezembro de 2009. Embora parte deles possa ter sido legítima, está evidente que havia ali um esquema criminoso de obtenção de cados cadastrais ou fiscais de pessoas. Não é crível que, em meio a algo deste tamanho – muito grave, certamente – estivesse, como acusa José Serra, o comando da campanha de Dilma. A evidência é de que havia um esquema de tentativa de extorsão ou coisa pior montado ali, com a conivência de funcionários.
A tal ponto isso ocorria que é possível que a agência tenha sido escolhida para obter a cópia dos dados de Verônica Serra justamente por isso.
A Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público não vão demorar a descobrir este esquema, até porque este número gigantesco é, por si só, uma evidência contra seus autores. Não foi um descuido de alguém que saiu e deixou seu computado logado na base de dados que, aliás, deve exigir uma senha a cada acesso.
É bom lembrar que a Receita Federal, até o dia 9 de julho de 2009, era comendada por uma pessoa notoriamente hostil a Dilma Rousseff, a Dra. Lina Vieira, embora isso não signifique qualquer acusação a ela. É, entretanto, um elemento a ser considerado, já que o atual chefe do órgão, Otacílio Cartaxo, adjunto de Lina, só foi efetivado no cargo em meados do mês seguinte. E todos os jornais registraram uma luta intestina muito forte pelas chefias da Receita naquele período.
Nada deve passar em branco, nada deve ser desconsiderado. Este caso, que é o cúmulo da exploração política deve ser tratado como é, cada vez com mais evidência: um caso de polícia.



















