O chanceler brasileiro Celso Amorim deu hoje, de Tel Aviv, uma aula básica de relações internacionais a José Serra. O candidato tucano tem sem manifestado de forma preconceituosa e truculenta em relação a nossos vizinhos sul-americanos e com uma visão tacanha sobre o papel do Brasil no cenário internacional.
Em entrevista à BBC Brasil, Amorim, diplomaticamente sem se referir a Serra, disse que os críticos da política externa brasileira vêem o Brasil com “olhos pequenos” e não enxergam que o país passou a ter “grandeza” no cenário internacional, o que o leva a ser chamado a desempenhar papel ativo nas questões mundiais.
Talvez isso seja difícil de ser compreendido por Serra, para quem o máximo que podemos ser é um capataz dos Estados Unidos e no continente sul-americano. Fernando Henrique Cardoso, quem diria, pode ser considerado até um progressista em relação a Serra, já que ao menos prestigiou o Mercosul, que Serra tanto despreza e não assumiu uma postura hostil à Venezuela quando se preparou e desfechou o golpe contra o governo legítimo da Venezuela.
Para fazer política externa é preciso de visão de estadista, o que definitivamente falta a Serra. Só consegue enxergar nos episódios externos a necessidade de alinhar o país à histeria simplória e ao coro de uma mídia quase que invariavelmente irresponsável e pressurosa em repetir as regras e ordens das grandes potências.
Serra afirmou a um grupo de empresários que o Brasil devia se dedicar ao conflito Colômbia-Venezuela, ao invés de gastar energia na questão nuclear iraniana. Não apenas uma coisa não elimina a outra como o candidato se mostra desinformado – ou mal intencionado - ignorando que desde a eclosão da crise entre os vizinhos sul-americanos, o governo brasileiro tem trabalhado para mediar o conflito e evitar que ele extrapole os limites da América Latina..
“Uma coisa não interfere na outra, pelo contrário, o prestígio internacional do Brasil nos ajuda também a trabalhar na região”, disse Amorim, em mais um ensinamento a Serra.
O chanceler brasileiro lembrou que a América do Sul tem mecanismos para resolver essas crises e que a Unasul se reúne na quinta-feira para tratar da questão. “A tarefa imediata é administrar a situação até a chegada do novo governo colombiano e então procurar uma solução mais permanente”, afirmou Amorim em mais uma lição de como as coisas são feitas no continente.
Para Amorim, os críticos externos da política brasileira, “querem preservar o monopólio do poder que têm”, e atacam não só o Brasil, como a Turquia, a Índia e a África do Sul. O ministro destacou os esforços do Brasil no Oriente Médio e encerrou o cursinho elementar de relações exteriores afirmando que “política externa não é uma coisa que se faz com um horizonte de um ou dois mandatos, mas nós iniciamos um processo e temos hoje uma relação de intimidade e de conhecimento dos problemas que não sonhávamos ter dez anos atrás.”
Serra tem uma mente miúda, incapaz de enxergar um palmo além de sua pequenez política. Para ele, o Itamaraty – como a imprensa e até seu próprio partido, o PSDB – são apenas instrumentos de uma vazia marquetagem eleitoral. E o Brasil um país que tem como destino ser o que sempre foi, um quintal do mundo. Desde que ele seja dono do terreiro.







[...] Serra e a “diplomacia brucutu” com os fracos [...]
A covardia pior é aqui em terras “polistas”, diálogo com o Serra envolve cassetetes, spray de pimenta e hematomas. O predador de professores acha que a educação paulista é “caso di puliça”.
Deputado êsse link é verdadeiro,real e indispensável
http://www.youtube.com/watch?v=JFOmnAjk1EQ&feature=PlayList&p=5E876630D2BF32
5B&playnext_from=PL&playnext=1&index=14
Do jornalista Helio Fernandes:
“Serra custou a se declarar presidenciável. Não tem o que mostrar, o que apresentar. Ocupou muitos cargos, não marcou sua presença em nenhum deles.
Foram 16 anos financiados pelos mais diversos grupos empresariais, vivendo sem problemas ou dificuldades.
Veio para o Brasil em 1978, tentou um cargo eletivo, sua candidatura não foi registrada. Alegação: “ainda estava cassado, não podia ser candidato”. Mais tarde, com FHC, concordou com a DOAÇÃO de 5 trilhões do nosso patrimônio.
Autoritário, arbitrário, Serra tem o perfil exato do ditador. Nunca trabalhou na vida particular, e na pública, poderia muito bem ser o autor de “O Zero e o Infinito” (de Arthur Koestler). Só que com Serra seria autobiografia.
Serra mostrou e até provou: política se faz sem caráter, sem convicção, sem constrangimento. Serra tem a dose certa da idolatria, hipocrisia e egolatria.
Idolatria, lógico, por ele mesmo, e em dose anestésica, para compensar o que os outros não têm por ele. Hipocrisia, enganando adversários e correligionários, sem a mínima visão de que está diante de um espelho. E egolatria elevada à potência máxima”.
Desculpem, esqueci o link. Pra quem não sabe:
http://www.conversaafiada.com.br
Senhores, o PHA aborda hoje no seu blog dois assuntos assustadores.
Um é sobre a BrOi e o outro…
O outro é esse aqui:
“Lula condecora Roberto Irineu
O presidente e o ministro da Defesa vão homenagear Roberto Irineu Marinho com a mesma distinção dada a Gerdau e Odebrecht. Roberto Irineu ganhará a comenda 24 anos depois que o seu pai, Roberto Marinho, foi condecorado”
Que o ministro da defesa tenha ensejo de condecorar os canalhas seus iguais, nada a obstar; que Lula o faça…é difícil de se compreender…
Arriscam uma explicação, Brizola e demais colegas?
Serra não sabe nem o acontece no quintal dele, como saberá do mundo!
Prezado Deputado Brizola,
você é muito generoso em adjetivar aquele que não é amigo do homem.Ser capataz dos Estados Unidos.
No Chile temos um termo que me parece ser mais apropriado: “CHUPA MEDIAS”.
Não é necessário realizar nenhuma tradução. Todo mundo compreende muito bem.
Cordialmente, María Edith
Quem tem mente tacanha nao raciocina.Só enxerga o proprio umbigo
Proliferam editoriais, artigos e opiniões desqualificando a política externa brasileira e o ministro Celso Amorim. Eis as principais linhas de argumentação:
1) O apoio a ditadores, governantes autoritários ou países que não respeitam os direitos humanos. O Brasil deveria criticá-los e manter relações menos amistosas.
2) A ingenuidade do Brasil ao ajudar países mais pobres da América Latina e da África.
3) O país não avançou nas negociações de áreas de livre comércio com os EUA e com a União Européia.
4) Megalomania. País não tem recursos econômicos e militares para sustentar seus objetivos diplomáticos.
Como um curioso exercício de imaginação, formulo um resumo de como deveria ser a atuação internacional do Brasil se fossem tomadas como críticas válidas os pontos anteriores. Já adianto, não seríamos amigos de muita gente, não…
http://recaminho.wordpress.com/
Qui no Paraná vai dar Dilma também.
Se bem que as vezes acho que o governo deveria dar mais atenção aos nossos vizinhos sim, principalmente a estes países responsáveis pelo fornecimento de drogas e armas, deveria ser mais ativo no combate destes problemas na fonte…
Kenedy Alencar fez uma excelente entrevista no domingo com um diplomata (não me lembro o nome) que classificou como absolutamente correta a política externa do Brasil. Mais, ridicularizou com as críticas que taxaram de ingênuos os presidentes do Brasil e Turquia. Explicou com clareza porque os EUA incentivaram o Brasil nesta direção mas depois decidiram pelas sanções: necessidade de negociar no congresso a aprovação de 2 importantes projetos de reforma. Sobre as sanções, usou como exemplo Cuba, se uma pequena ilha pode resistir 50 anos imagine o Irã? Também argumentou que tudo que um governo totalitário como Cuba ou Irã mais precisam para se perpetuar no poder é um inimigo externo, coisa que os EUA sempre se empenharam em fornecer.
E tenho que aturar o Sardenberg (CBN) fazer comentário de que a casa está pegando fogo enquanto Amorim vai tentar resolver um problema do outro lado do mundo.
A cartilha é a mesma. Será que foi elaborada no fórum do millenium?
Sobre Uribe:
http://www.youtube.com/watch?v=-WP9SoaBI1M
Um colega petista me falou que o Serra é bastante preparado e tem muito conhecimento. Então pedi pra ele dar um exemplo desse preparo e desse conhecimento… NADA. José Serra vive de uma fama que não se sustenta.
É um típico sabido de nossa política que só sabe mandar. Ele não é nada sem uma boa equipe a salvá-lo. Teria alguma substância se ainda fosse um bom líder e um bom mediador (negociador), mas nem isso ele é.
Resumo: José Serra é um embuste que sobrevive de uma lenda de si próprio que ninguém sabe de onde veio nem porque existe.
Esses poderosos da direita só ficam valentes diante da Bolívia e do Paraguay. Diante dos grandes sao verdadeiros “cahorinhos de madame”.
Tiram os sapatos para entrar nesses paises!
Valentoes de meia-tigela!
Deputado: a teoria do Zé Caixão é simples, quando é com um poodle, ele sai chutando, quando aparece um pit bull, ele se borra nas calças! ahahahahahahahahahahahah
Serra a exemplo dos Estados Unidos, puniria o soldado que vazou as atrocidades e não se preocuparia em investigá-las. Eles se consideram maiores do que são.
Serra é um esquizofrênico. Já imaginaram “isso” como presidente?
Documentário – O Problema não é o Irã?
O Irã é uma ameaça aos EUA e seus aliados?
http://bit.ly/cSvfhv
Serra precisa sentar na sala de aulas ministradas por Celson Amorim, pois ter a visão pautada por Revista Veja, predileta por Serra, é assinar o atestado de burrice.
Tá na hora de Serra parar de semear as discórdias e buscar o bom senso na negociação com quaisquer países.
Serra, como todo fascista, tem mente pequena. O Grande Celso Amorim está inteiramente certo nas posições que toma, sinto orgulho de ser brasileira quando vejo o trabalho bem feito dele. A turma dos demotucanos prefere si aliar aos ianques racista e truculentos.
Prezado deputado,exigir grandeza e visão de um sujeito como serra é o mesmo que exigir discernimento de um psicopata.
li agora na uol que vao designar o cembranelli para o tao importante julgamente de assassinato de ex prefeito celso Daniel…..etc,etc…
acreditem se quiserem, o assunto volta a tona nessa eleiçao acolhendo pedido do ministerio publico de sao paulo.
http://noticias.uol.com.br/politica/2010/07/27/justica-adia-julgamento-da-morte-de-celso-daniel-promotor-sera-o-mesmo-do-caso-isabella-nardoni.jhtm
“questão nuclear iraquiana”
Iraniana.
obrigado, vou corrigir
Revista Cult – Ano 13 – n? 148
A Política Externa no Governo Lula
Concepções de democracia determinam avaliação da política externa
Por Vladimir Safatle – doutor em filosofia pela Universidade de Paris 8 e professor de filosofia da USP. É autor, entre outros, de O que Resta da Ditadura: A Exceção Brasileira (Boitempo, 2010).
Um dos pontos mais controversos do governo Lula é sua política externa. Nos primeiros anos, foi evidente a tentativa de privilegiar ações no eixo Sul-Sul, como a ampliação dos vínculos diplomáticos com países fora do centro Estados Unidos-União Europeia e com outras economias emergentes. Tal política foi alvo constante de crítica por parte de setores da imprensa e da política nacional, até o momento em que veio a crise econômica mundial. Com a crise, viu-se rapidamente que economias muito dependentes do comércio com os EUA e com a União Europeia sofreriam de maneira particularmente sensível os efeitos da bancarrota econômica. O México é um exemplo pedagógico, e a aposta na ampliação dos laços diplomáticos e comerciais com países emergentes e do Terceiro Mundo mostrou-se extremamente feliz.
No entanto, nos últimos anos, a política externa brasileira ganhou contornos inesperados. Pois tudo se passa como se o Brasil tentasse agora entrar no debate das grandes questões da política mundial, como o problema relativo às tensões no Oriente Médio, assim como o destino das democracias na América Latina. Ao operar tal guinada, as críticas foram ainda maiores do que aquelas que ouvimos nos primeiros anos do governo. Elas são interessantes porque não visam apenas à política externa, mas tentam também se passar por ocasiões para discutir temas sensíveis da vida nacional, como a questão do respeito aos direitos humanos e a defesa da democracia. Nesse sentido, vale a pena discutir com calma algumas das opções mais paradigmáticas deste novo momento da diplomacia brasileira, a saber, a intervenção no golpe militar em Honduras e a operação conjunta com a Turquia para a negociação do programa nuclear iraniano.
Gostaria de defender a tese de que tais opções polêmicas da diplomacia brasileira foram amplamente corretas e irretocáveis. Por qualquer lado que se procure analisar, elas demonstraram maturidade e visão de longa escala a respeito de consequências futuras. Sei que essa avaliação é compartilhada por poucos, mas gostaria de mostrar como, ao menos desta vez, os melhores argumentos estão do lado do governo e que boa parte dos argumentos contrários se baseiam em concepções bastante peculiares do que seja democracia (isso no caso das críticas contra a intervenção em Honduras) e das reais causas das infindáveis tensões no Oriente Médio.
Foram várias as vozes críticas à decisão de dar asilo na embaixada brasileira ao presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, assim como à decisão de não reconhecer nem o governo que o sucedeu nem aquele que foi eleito posteriormente. “Ingerência indevida”, “apoio a um rascunho de ditador”, “subvenção à tentativa de destruir o Estado democrático de direito” foram apenas as acusações mais leves contra a atuação brasileira. Segundo tais críticas, tudo se passou da seguinte forma: influenciado pelo caudilhismo populista de Hugo Chávez, o presidente hondurenho decidira afrontar de maneira deliberada a Constituição e as instituições democráticas de seu país tentando fazer passar um “golpe plebiscitário” (essa expressão inacreditável saiu do editorialista de um grande jornal nacional) que permitiria sua reeleição. Contra tal atentado ao Estado democrático de direito, o Congresso Nacional, juntamente com as Forças Armadas, depuseram o presidente empossando o presidente do Congresso até novas eleições. Que esse novo governo tenha assassinado e perseguido jornalistas e opositores, fechado rádios e canais de comunicação que apoiavam o presidente deposto, e reprimido violentamente manifestações, nada disso muda sua natureza democrática. Pois tudo vale para a defesa da normalidade democrática.
No entanto, seria interessante lembrar que a democracia reconhece claramente a possibilidade de dissociação entre justiça e ordenamento jurídico atual, ou seja, entre direito e justiça. Ela admite que leis atuais podem ser injustas e passíveis de modificação por meio de mobilização popular. No caso de Honduras, poderíamos perguntar quão democrática é uma lei constitucional que eleva à condição de cláusula pétrea a impossibilidade do povo modificar a maneira com que ele próprio é governado. Na verdade, uma lei dessa natureza é simplesmente uma aberração, só possíveis em países como Honduras. Sendo a vontade popular o poder instituinte de toda Constituição democrática, tal lei equivale a dizer algo totalmente contraditório como: “Nós, o povo, reconhecemos que nós, o povo, não poderemos mais decidir sobre a maneira pela qual nós, o povo, seremos governados”.
Nesse sentido, a questão relativa a Honduras diz muito a respeito da maneira com que certos setores da vida nacional compreendem o que é, afinal, a democracia. Digamos de maneira clara: a verdadeira democracia não é medida pela estabilidade de suas instituições e suas regras. Afinal, quantas vezes a França (só para ficar em um exemplo) mudou as regras de seu sistema e de seu sistema de partilha do poder? Quantas vezes ela modificou o funcionamento da instituição presidencial? Lembremos como mesmo a “estável” Inglaterra hoje debate modificações profundas em seu próprio sistema.
A verdadeira democracia é medida pela possibilidade dada ao poder instituinte popular de manifestar-se, criando novas regras e instituições. Não é só em eleições que tal poder se manifesta. Há uma plasticidade política própria à vida democrática que só arautos do pensamento conservador compreendem como “insegurança jurídica”. Nesse sentido, o plebiscito é simplesmente a essência fundamental de toda vida democrática e falar em “golpe plebiscitário”é uma das maiores aberrações que se pode imaginar. O dia em que um plebiscito equivaler a um golpe de Estado, então nossa noção de democracia estará completamente esvaziada. Ela perderá todo seu valor. De toda forma, é sintomático que boa parte daqueles que se insurgiram contra o plebiscito hondurenho não gritaram “golpe de Estado’ quando o governo de Fernando Henrique Cardoso passou, por meio de compra de votos no Congresso Nacional, uma emenda constitucional aprovando a reeleição.
Theodor Adorno certa vez cunhou uma bela expressão para designar aqueles que se aferravam a leis claramente injustas, bradando-as quando setores da vida nacional procuravam anulá-las: “legalistas da ilegalidade”. Certamente, o termo cabe para boa parte daqueles que criticam a postura da diplomacia brasileira nesse caso.
Durante praticamente dez anos, a comunidade internacional aplicou severas sanções contra o Iraque, então governado por Saddam Hussein. Restrições ao comércio, a armas, a aplicações no sistema financeiro internacional: nada disso faltou. A ideia era impedir que o Iraque voltasse a ser uma ameaça militar à região. No entanto, depois de todo esse tempo, os governos norte-americano e inglês acusaram o Iraque de possuir armas de destruição em massa. No outro lado da Ásia, um dos países mais isolados do mundo, a Coreia do Norte, aparece um dia com um arsenal de bombas atômicas. O que esses dois fatos nos ensinam? Bem, que sanções e isolamento não servem de nada. Eles não servem sequer para abalar regimes, haja vista o resultado nulo do bloqueio imposto a Cuba por mais de 40 anos. O cômico de toda esta história é que, no caso do Iraque, o próprio governo norte-americano reconheceu indiretamente que as sanções de nada serviram. Então, afinal, por que eles querem usar a mesma política ineficaz contra o Irã?
É importante um pouco de história. Lembremos que o Irã estava em um claro movimento de abertura de seu regime e normalização de relações internacionais, primeiro com Rafsanjani e depois com o reformista Kathami. Esse movimento foi quebrado em 2005, com a primeira eleição de Ahmadinejad como uma das consequências do recrudescimento das tensões produzidas pela invasão no vizinho Afeganistão. Depois veio a invasão do outro vizinho, o Iraque. Como se não bastasse, a imprensa mundial começou a veicular informações de um provável novo alvo seria o próprio Irã. Nessa situação de insegurança regional, é bem provável que o desejo iraniano de transformação em potência nuclear tenha sido resultado de um cálculo simples: os EUA invadiram o Iraque mesmo sem mandato da ONU e não invadiram a Coreia do Norte (com suas ameaças à “ordem mundial”) porque o primeiro não tinha armas nucleares e o segundo tinha. Logo, essa é a condição para a sobrevivência.
Se tal interpretação for correta, então a única maneira de dissuadir o Irã passa por normalizar a situação global do Oriente Médio, ou seja, criar uma situação política em que a posse de armas nucleares não seja condição fundamental para a segurança (lembremos que há, pelo menos, duas potências nucleares na região: Israel e Paquistão). Certamente, não é com o acirramento das tensões que tal situação será alcançada. Ela será alcançada com ações parecidas àquela encabeçada pelo Brasil e pela Turquia.
Os críticos da opção brasileira afirmam ser impossível negociar com alguém como Ahmadinejad: um ditador antissemita que massacra seu povo e não tem medo de disparates como negar a Shoa. De fato, o personagem é repulsivo. No entanto, ele se alimenta de um sentimento real de falta de simetria no trato das questões ligadas ao Oriente Médio e de parcialidade na maneira com que as grandes potências encaram o problema e agem diante de todos os atores da região.
Por fim, vale a pena discutir um argumento que veio à tona quando o Brasil decidiu negociar com o Irã: não podemos sentar à mesa com quem não respeita os direitos humanos. De fato, o presidente Lula protagonizou deslizes imperdoáveis quando comparou a revolta depois da eleição iraniana com um descontentamento futebolístico ou quando minimizou o problema dos direitos humanos em Cuba. Nada disso era necessário. Mas o problema é que o discurso dos direitos humanos é usado para estigmatizar o inimigo e ponto final.
A esse respeito, lembremos como o pior inimigo da moralidade é a ausência de simetria. Um dos maiores aliados do Ocidente na região tem uma política de direitos humanos mais brutal do que aquela que encontramos no Irã. Nesse país onde a opressão contra as mulheres e contra as minorias religiosas é a regra, nem sequer há eleições, e nada disso parece incomodar o Ocidente. Estamos falando da Arábia Saudita, um país que faz o Irã, com suas tensões internas, parecer um lugar aberto.
Essa ausência de simetria é mortal para o discurso dos direitos humanos. Infelizmente, ela é a tônica entre nós, seja pela boca do pensamento conservador, seja por meio de certa esquerda descorada. Eles gostam de apontar o dedo para Cuba, mas não gostam de falar sobre a Colômbia e seus paramilitares. Eles gostam de falar sobre o Irã, mas quando a Anistia Internacional lembra que a inexistência de tribunais para julgar crimes da nossa ditadura militar é uma aberração jurídica inaceitável, ninguém abre a boca. Ou melhor, abrem a boca apenas para dizer que devemos preservar a coesão nacional, que são águas passadas, que não devemos estigmatizar as Forças Armadas etc. Não me lembro deles se levantando contra o vazio jurídico de Guantánamo, contra os jornalistas mortos em Honduras ou contra as rondas fascistas que caçam imigrantes na Itália. No fundo, eles dão a impressão de que direitos humanos são algo que devemos cobrar apenas dos inimigos ou dos desafetos.
Note-se, não se trata de minimizar a situação repugnante e deplorável que ocorre atualmente no Irã e em Cuba. Elas são em todos os sentidos inaceitáveis. Trata-se apenas de dizer: “Por favor, não destruam o discurso dos direitos humanos com a parcialidade de vocês”. Falem contra todos e, principalmente, contra o que acontece em nosso próprio país.
“Para fazer política externa é preciso de visão de estadista, o que definitivamente falta a Serra”.
Como ter visão de estatista se nem liderança ele possui, apenas pauta e é pautado pela velha mídia, carcomida, golpista e entreguista.