Do Pré ao Pós-Sal

Gilberto Felisberto Vasconcellos

 

              80 por cento nas mãos do Brasil, tudo bem, mas tinha que ser 100 por cento, como queriam Getúlio Vargas e Gondin da Fonseca em seu livro magnífico O que você deve saber sobre o petróleo.

O controle brasileiro do Pré-Sal não pode dar margem a pedir dinheiro emprestado ao estrangeiro.

O capital estrangeiro é o demônio.

Alô, Bautista Vidal, o que você acha?

- Foi o que se conseguiu. Agora a estratégia é vender o petróleo para o exterior e usar o álcool internamente.

              – Claro, porque é mais barato.

              – A Petrobrás deve agora implementar a Petroquímica da mamona, matéria-prima fantástica de  que resultam 400 subprodutos valiosíssimos.

              – A Dilma já lhe chamou para esclarecer sobre o que deve ser feito com a política energética do ponto de vista da totalidade?

              – Ainda não.

              – Ainda não?

              – Ainda não.

              Bautista Vidal, a maior autoridade mundial em energia, charla comigo por telefone sobre o saudoso Marcelo Guimarães, outro gênio que conhecia tudo dos trópicos, a quem eu apresentei um dia no Pasqualini, Rio de Janeiro, a Leonel Brizola.

              “- Você foi do Grupo dos Onze?

              – Fui, Marcelo falou, por causa da minha campanha nacionalista na Faculdade de Geologia em Ouro Preto. Minério não dá duas safras. Até fui preso por conta disso.”

              Eu me lembro agora do Marcelo por causa do Pré-Sal, a Arábia Saudita no fundo do mar de Santa Catarina.

A Quarta Esquadra gringa está de olho gordo. Hugo Chávez já advertiu. A Operação Colômbia testa de ferro opera por terra e por mar.

Arábia Saudita em Santa Catarina? Se for isso, o pau vai comer solto.

              Marcelo dizia o seguinte: não é evidentemente para tacar fogo no petróleo, porque é ainda a energia que move o mundo, mas a pior coisa que pode acontecer ao Brasil é descobrir novos poços de petróleo.

              – Por quê?

              – Porque desvia a atenção dos brasileiros da nossa verdadeira vocação natural, que é a biomassa vegetal, os renováveis.

Quantos empregos são criados por uma refinaria? Imagina quantos empregos com milhares de micro-destilarias espalhadas pelo Brasil? Milhões e milhões.

              É isso aí.

- É essa a via do socialismo para o Brasil?

              – É, não tem outra, dizia meu amigo Marcelo Guimarães.

Um comentário até agora.

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