Flávio Tavares

Aprendemos desde crianças que a grandeza do Brasil vem daquilo que nos deu o processo evolutivo da Criação: nossos minérios, nossas florestas, nosso mar e nossas águas ou até nosso firmamento, tudo isso – do ouro ao ferro, dos diamantes ao petróleo – está aqui há bilhões de anos e é o nosso tesouro. Foi-nos dado. Não foi fruto da nossa conquista nem do nosso engenho. Mas, como aqueles tesouros escondidos das histórias de aventura, o que a natureza nos deu estimula a sanha da cobiça dos piratas. A grandeza de nossa riqueza natural e nossa riqueza como nação contrastam com a nossa pequenez humana. De fato, nos comportamos como piratas dos tempos passados, ávidos pela rapina. O pré-sal, por exemplo, é o novo tesouro da nossa modernidade. Escondido no fundo do mar por milhões de anos, o século 21 nos trouxe como presente natalino. Sem qualquer humildade, porém, nos atiramos sobre ele para usufruí-lo tão rápido quanto possível. As reservas petrolíferas estão a milhares de metros nas profundezas do oceano – não se sabe a profundidade exata e só há hipóteses aproximadas quanto às grandes jazidas. Mas tudo parece ao alcance da mão, como chocolate com que lambuzamos a cara na sofreguidão de comê-lo rápido… *** Agora, a única discussão prévia sobre o projeto de exploração do pré-sal girou em torno dos “royalties”. O governador do Rio de Janeiro sentiu-se “perseguido”, pois o projeto original do governo federal não distribuía aos Estados e municípios as regalias que a Petrobras lhes dá, hoje, pela exploração no mar. Em inglês, “royalty” significa “regalia”, dádiva do rei aos súditos. Moro num município do litoral fluminense contemplado com as “dádivas” do rei-petróleo e sei onde vão parar esses milhões de reais! No melhor dos casos, em época de eleição, para pagar exibições públicas de Roberto Carlos e outros… Só a cobiça foi tema de discussão. Nenhum interesse, porém, pelo lado tecnológico ou ambiental da exploração do pré-sal. A natureza que se lixe! Em Brasília, na solenidade em que o governo federal lançou o “marco regulatório” do pré-sal, só os jovens do Greenpeace chamaram a atenção para o aspecto fundamental da exploração hiperprofunda: “Pré-sal e poluição – Não dá para falar de um sem falar do outro”, diziam os cartazes exibidos por moças e rapazes, enquanto o presidente da República discursava. *** O petróleo é nosso! Dizer isso até 1950 era “agitação comunista” e significava prisão. Agora, ninguém duvida de quem é o petróleo do pré-sal. Mas o petróleo deve servir à vida. E viver significa defender o planeta que nós extinguimos pouco a pouco. Hoje, a Petrobras é a grande poluidora nacional. E não porque seja empresa má ou perniciosa, mas porque a extração (e refinação) do petróleo é perigosa em si ou, até, exterminadora. País afora, são comuns até os vazamentos de depósitos de gasolina refinada em rios e lagos, condenando-os à pestilência, num dano permanente e absoluto. De que vale explorar o pré-sal e degradar o planeta? Neste 7 de setembro, que o sal da independência nos conduza à vida.

2 Comentários até agora.

  1. jbmartins says:

    Que vergonha ler um artigo deste, se alguem o este que escreveu, convidou para ir morar nos EUA, la não tem poluição so Florstas e Indios, la é um exemplo de preservação e preocupação com a População do Planeta, pago sua passagem mais só de ida.

Comente



TIJOLACO.COM | Bernardo Links & Will Marinho