Gilberto Felisberto Vasconcellos

Em 1964 rondou por nosso litoral a operação Brother Sam. Por pouco não invadiu o país com os mariners alojados pelo governador Magalhães Pinto em Minas Gerais, que se oferecia como “Estado beligerante” a favor dos EUA e contra o governo João Goulart. Não é por acaso que admirador de Tiradentes, o mineiro Darcy Ribeiro tinha ódio da potranquice do dono do Banco Nacional.

Lá na Colômbia a Quarta Esquadra norte-americana está agora de olho no socialismo caribenho liderado pela Venezuela.

O presidente Obama pode ser Obama e tal, mas ele como indivíduo conta quase nada no comando da maior nação imperialista.

Os EUA seguem os interesses de suas grandes corporações multinacionais, seja quem for o presidente.

O lúcido Hugo Chávez aproveita a hora para didatizar aos hermanos da América Latina o que significa imperialismo, que é a essência do nosso tempo.

Ymperyalismuz, grafava assim Glauber Rocha para o leitor ouvir a palavra.

Os acadêmicos nas universidades recusam o termo imperialismo por ser demasiado emocional. No Brasil falsário de hoje ninguém mais fala disso, o que é sem dúvida conseqüência da flexibilização semântica feita pelo neoliberalismo tucânus vende-pátria.

Teoria Marxista do Imperialismo

O autor clássico no assunto é Lênin, que escreveu em 1916 o livro Imperialismo – a Última Etapa do Capitalismo. A outra contribuição à teoria marxista do imperialismo foi dada por Rosa Luxemburgo e também por Rudolf Hilferding. Significa o predomínio do capital financeiro sob a indústria numa economia mundial baseada no monopólio. Este toma conta e reparte as áreas de influência, eliminando a concorrência e absorvendo as pequenas e médias empresas, sendo o monopólio um produto natural da concorrência.

Atenção: o imperialismo não é uma contingência fortuita ou temporária do capitalismo, e sim um atributo intrínseco e inseparável da acumulação de capital depois de 1880, de modo que não é possível atualmente existir capitalismo sem imperialismo em busca de lucros.

O imperialismo é uma emanação financeira necessária e centralizada do regime capitalista, cuja expansão implica a transferência de riqueza das áreas coloniais ou semi-coloniais para a metrópole.

Ainda que permaneça em sua essência o mesmo desde quando teorizada por Lênin (assim como o capitalismo é o mesmo desde a época de Marx), o imperialismo já teve a fase da exportação de mercadorias e a da exportação de capitais, mas desde 1945 predomina a exportação de empresas multinacionais instaladas em todos os países. Essas empresas gigantes fabricam seus produtos nos países anfitriões (baseando-se na superexploração da força de trabalho) com o objetivo de exportá-los e de serem vendidos internamente, Isso significa que o âmago do imperialismo atual encontra-se na corporação multinacional. As classes dominantes (e os seus estamentos) estão no topo dessas empresas que determinam a política externa dos EUA, o que não quer dizer que essas empresas promovam o bem estar igualitário para o povo norteamericano. Este no entanto continua não sabendo porque os EUA são um país imperialista. Por outro lado, ingenuidade ou estupidez ou má-fé seria imaginar a equação: o que é bom para as empresas multinacionais é bom para a América Latina.

Adrenalina do Dólar

O termo “multinacional” apareceu nos EUA pela primeira vez em 1960 vinculado à energia atômica, mas seu aparecimento data de antes: a petrolífera Standard Oil é tida como exemplo típico de corporação multinacional, segundo Paul Baran e Paul Sweezy, autores de O Capital Monopolista, dos quais Andre Gunder Frank foi um discípulo brilhante nos Estados Unidos.

A Standard Oil do doutor Rockfeller, de quem Carlos Lacerda embolsava mesada no Jornal A Tribuna da Imprensa, foi quem suicidou Getúlio Vargas em 1954 por ter criado a Petrobrás.

A Carta Testamento, o documento trágico que fez a cabeça política anti-imperialista de Leonel Brizola, talvez tenha sido no Brasil a primeira reflexão sobre a corporação multinacional como agência do capital monopolista. É por aí que se compreende, no início dos anos 60, a admiração recíproca entre Leonel Brizola e Gunder Frank, o autor de O Desenvolvimento do Subdesenvolvimento, um dos livros mais importantes das ciências sociais no século XX.

Multinacional e Guerra Sem Fim

A verdade histórica que está tanto na teoria marxista do imperialismo, quanto na doutrina trabalhista, é que o imperialismo é ineliminável da expansão capitalista, assim como o imperialismo envolve necessariamente o militarismo. A guerra sem fim.

Em suas lições proferidas pelo rádio, o governador Leonel Brizola começava pelo ano de 1945: os EUA não sofreram danos em seu território e se deram bem com a Segunda Guerra Mundial.

Em As Américas e a Civilização, o livro mais bolivariano de Darcy Ribeiro, o Estado militarista nos EUA (nascido em 1945) aparece como conseqüência do domínio econômico e político das corporações multinacionais. É o conluio entre o empresariado monopolista e as altas patentes militares.

A Guerra Fria começará com a bomba atômica lançada em Hiroshima. Doravante, o poder militar garante o dólar como moeda internacional que compra petróleo.

Depois da Segunda Guerra Mundial, sobretudo da Guerra da Coréia, o imperialismo norteamericano surge como o grande adversário da emancipação da humanidade.

E, para voltar ao Caribe como preâmbulo ao Pré-Sal em Santa Catarina, região que já foi cobiçadíssima pela pérfida Inglaterra, digamos que a operação Colômbia Brother poderá desencadear um movimento bolivariano de solidariedade entre os países da América Latina. Isso evidentemente se porventura o Brasil, paraíso das corporações multinacionais, não roer a corda.

3 Comentários até agora.

  1. [...] ler, sobre o assunto, o artigo Operação Colômbia Brother, de Gilberto Vasconcellos, que publico aqui. Nele, fica claro que o sistema de poder norte-americano  tem razões que o governam mais que o [...]

  2. Rodrigo Zapata says:

    Só pra variar, mais uma aula do prof Giba. O Brasil tem que decidir de que lado está. Não podemos titubear, pois a pressão será grande.
    Em tempo:que saudade do velho Briza!!!!!!!!

  3. mineiro says:

    os paises da america latina tem que unir sim, e chutar esses vagabundos norte americano pros quintos dos infernos , montar bases militares no raio que o parta. o interesse deles é dominar o mundo e passar por cima de quem fica no caminho.

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