Por que só duas candidaturas?
João Vicente GoulartQuem não se lembra do bipartidarismo que a ditadura militar nos impôs, com Arena e MDB, durante os anos de um país sem liberdade, de um país sem destino, de um país amarrado à censura, com os direitos individuais tolhidos? Demoramos muito tempo e paulatinamente viemos aprimorando, dia a dia, eleição trás eleição, o nosso sistema político, partidário e eleitoral, caminhando sempre na busca da melhora de nosso amadurecimento democrático.
Por que hoje os políticos, agrupados em grandes partidos, PMDB, PT, PSDB, tentam através de um sentimento mal interpretado propagar a tolice de inculcar a teoria de que nossa próxima eleição presidencial tenha que ser entre apenas um candidato de situação e outro de oposição? Nós, brasileiros, sabemos que a grande quantidade de pequenos partidos muitas vezes age de forma servil aos grandes partidos, mas tê-los funcionando, sem dúvida, é uma conquista democrática da qual não podemos abrir mão, com o risco de regredirmos na conquista livre e soberana da democracia plena.
Mas pior, muito pior, é submeter-nos ao autoritarismo pragmático que tentam esses pseudodonos da política que preza a raposa cuidar do galinheiro, como fazem PMDB, PT, DEM e PSDB, pensar que nós, brasileiros, após conquistar vários degraus de nosso processo democrático, tenhamos que votar já no primeiro turno em apenas dois candidatos, como se fôssemos uma tropa de bois a passar entre o brete e a porteira.
Há vários partidos funcionando. Não necessariamente temos que escolher o que pensam as raposas dos grandes partidos de grandes alianças. Para o bem desses partidos, seria lógico que em nosso sistema eleitoral de dois turnos tivéssemos a liberdade de escolher no primeiro o candidato de nosso partido, até para ver o desempenho e fortalecimento dos mesmos, uma vez que vivemos em uma democracia pluripartidária e esses vários partidos só se fortalecerão lançando os seus próprios candidatos. Teria que ser uma obrigação que ainda não tem base legal, mas que, eleição pós eleição, poderíamos aperfeiçoar para dar robustez ideológica a esses partidos e não aos homens que neles militam.
Mas aí vem a cooptação dos maquiavélicos dirigentes dos grandes partidos querendo fazer do primeiro turno um embate plebiscitário entre os seus dois candidatos. Pelo andar da carruagem, vamos ter o que o nosso Brasil e seus eleitores merecem, caindo por terra a vontade unívoca de conduzir os votos da população plebiscitariamente.
Que bom seria ter Cristovam Buarque candidato pelo PDT, Marina pelo PV, Ciro Gomes pelo PSB, Dilma pelo PT, Serra pelo PSDB, Cesar Maia pelo DEM, Heloísa Helena pelo PSOL e candidatos à presidência também pelo PP, pelo PRB e por todos os outros que queiram ter essa representação no primeiro turno para consolidar o pleito.
Sem dúvida, o panorama seria diferente e vários candidatos favoritos cairiam no caminho como castelos de cartas. Seria mais um avanço da conquista de nosso povo em derrubar oligarquias políticas a serviço de seus interesses pessoais. A vontade das raposas não prevalecerá.






Prezado João Vicente.
Parabéns pelo artigo, acho que temos que amadurecer este assunto o partido deveria ouvir as bases pois este namoro com a Dilma só é benéfico ao PT. Ela mesma saiu do nosso partido acompanhada de vários outros companheiros, em uma situação muito complicada pois apoiávamos o Governo do PT (Olívio Dutra), aqui no Rio Grande do Sul e estávamos construindo a candidatura do companheiro Alceu Collares para prefeito de Porto Alegre.
Então já sentimos na carne os efeitos da danosa aproximação.
Temos que ter candidaturas próprias em todas as esferas, somos o partido com a maior história de lutas e conquistas em defesa do povo brasileiro.
De onde veio o Vargas, veio o Jango e veio Brizola e nós somos frutos desta mesma escola.
Saudações Trabalhistas.
Certo, João Vicente. O PDT deveria ter candidato para presidente. Tú falas em Cristovam Buarque. Eu digo que devemos ter candidato; melhor seria se fosse puro sangue.
Segundo turno é outra coisa.
Parabéns ao João Vicente Goulart pelo texto e ao deputado Brizola Neto por colocá-lo em análise. A tese de múltiplas candidaturas presidenciais vem sendo sustentada pela editoria da Rede PDT, enfatizando a necessidade de o partido promover debates internos sobre os destinos do Brasil e a possibilidade de lançar candidato próprio à Presidência nas eleições de 2010, ou, em segundo plano, compor chapa alternativa com outras siglas que estejam determinados a quebrar essa falsa polarização que os grupos econômicos pretendem estabelecer entre PT e PSDB. Creio que a construção da chamada 3ª Via seria mais coerente com os esforços empreendidos por Leonel Brizola nos seus últimos anos de vida, não foi por menos que nas eleições de 2002 houve todo aquele empenho a favor da candidatura de Ciro Gomes (contra Lula do PT e Serra do PSDB), inclusive fazendo aprovar a verticalização nas convenções partidárias realizadas em Pindamonhangaba (SP), quando ficou deliberado que o PDT e o PTB celebrariam coligações proporcionais em todos os estados, como de fato celebraram. A propósito, é bom recordar que na origem o Partido dos Trabalhadores não era chegado a encruzilhadas ou bifurcações eleitorais e até rechaçou cooperar com aquela chapa Tancredo Neves-José Sarney (PMDB) para derrotar Paulo Maluf-Mario Andreazza (PDS) no Colégio Eleitoral, enquanto na outra ponta Brizola orientava os parlamentares do PDT a comparecerem de narizes tapados contra o malufismo. Curioso é que agora no poder o PT se presta ao papel de manter como presidente do Senado a figura execrável de José Sarney (vice que assumiu a Presidência da República com a morte de Tancredo, em flagrante ilegalidade patrocinada por Ulysses Guimarães que era presidente da Câmara dos Deputados e deveria assumir para promover novas eleições), além do que sustenta o deputado Paulo Maluf como ‘aliado da base’. Na certa o PT reviu seus conceitos, ou simplesmente deixou cair a máscara do puritanismo político, enquanto peemedebistas permanecem no cenário nacional coerentes com suas memórias, conservadores por excelência.
[...] que leva o nome do Presidente deposto pelo golpe de 64. Foi publicado no Zero Hora de hoje e republico aqui para que todos possamos refletir sobre seus argumentos. Os trabalhistas, antes de tudo, precisam se [...]