Brizola Neto, no jornal O Povo do Rio
Até que enfim se tomou uma providência para punir a Supervia e as Barcas pelos maus tratos que, a toda hora, impõem a seus passageiros.
A companhia que administra os trens tomou uma multa de R$ 150 mil , por seus seguranças terem distribuído chicotadas nos clientes, em abril. Um valor que não fez nem cócegas no polpudo caixa de empresa. Não faz, porque a multa é de cinco centésimos de um por cento do faturamento da empresa em 2008. Faça as contas e veja quanto ela faturou: 300 milhões de reais!
Vou fazer uma conta para que você entenda como isso é ridículo. Uma pessoa que ganhasse R$ 1 mil e levasse uma multa na mesma proporção da Supervia, ia ganhar uma punição de – está preparado? – 60 centavos por ano!
A multa das barcas foi um pouco mais pesada. A empresa não divulga seu faturamento, mas fazendo a conta pelo número de passageiros transportados por ano ( quase 25 milhões) pela tarifa Rio-Niterói (R$ 2,80), deve andar pouco acima de R$ 70 milhões por ano. Ela levou duas punições de R$ 400 mil, cada.
A primeira foi por um tumulto em abril, quando, no pico de movimento de véspera da Semana Santa, a empresa tirou barcas de circulação.Houve correria e o embarque foi suspenso por duas horas. Duas passageiras tiveram de ser levadas ao hospital. A outra foi pela superlotação na barca (nova), Urca II, em novembro passado.
Claro que a gente fica feliz que finalmente, depois de tanta promessa de uma punição que nunca vinha, tenham sido tomadas estas providências. Mas aí, fica a pergunta que fiz na semana passada; mas quem vai pagar esta multa não é o próprio usuário dos serviços?
Porque as concessionárias, com liberdade para investir o que e como quiserem – elas não seguem os contratos de melhoria que assinaram quando ganharam o serviço – é claro que vão tirar essa grana é dos investimentos, não do lucro dos acionistas.
Vou insistir aqui e em Brasília: o poder público, Estado e prefeituras, e a sociedade têm de estar sentados lá dentro, na mesa onde as decisões são tomadas. Temos de acabar com esta história de querer colocar trinco em porta arrombada.
Até porque não adianta nada. Será que vamos esperar outra confusão e outra multa para ver que as barcas estão superlotadas? É só entrar na página da empresa e ver lá, nos números que ela própria divulga.
O número de passageiros subiu de 18,3 milhões para 24,8 milhões (+ 35,5%), mas o número de viagens baixou de 78.245 para 76.902 (- 1,8%). Mais passageiros, menos viagens, barca mais cheia, é óbvio! E ainda tomaram o espaço dos passageiros na estação da praça XV, para ganhar alugando para lojas e as pessoas que fiquem lá fora, na chuva, esperando.
Nos trens, é o mesmo problema . Quinta-feira, em Saracuruna, houve novos tumultos. Os passageiros, que já tinham tomado um trem com defeito foram levados para outro que…deu defeito também. No terceiro trem, acabou a paciência e veio o quebra-quebra, que não é uma coisa que a gente deva aplaudir.
Até porque, se a gente for quebrar tudo o que anda funcionando mal para a população vai sobrar pouca coisa inteira.






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