Brizola Neto

Assunto não faltava para essa nossa conversa de hoje: temporal, apagão, essa ameaça terrível dos royalties do petróleo serem tirados do Rio – e Lula vai vetar esse absurdo. Mas resolvi ficar em um que acho muito grave, porque está colocando em risco a vida do nosso povo, em alguns momentos, e tirando-lhe o conforto, todos os dias. Falo da crise do transporte sobre trilhos – Metrô e trens – e sobre as barcas Rio-Niterói.

Sempre fui contra a privatização destes meios de transporte, mas ela está feita e, agora, os empresários que ganharam muito dinheiro com elas não têm o direito de deixar de prestar um serviço bom e seguro à população.

No caso dos trens, além dos atrasos e paralisações que se transformam em confusão e quebra-quebra, tivemos o episódio inacreditável da composição que, há dois meses, correu, sem maquinista,da estação de Ricardo de Albuquerque à de Oswaldo Cruz, a uma velocidade de aproximadamente 100 Km/h, com 800 pessoas a bordo.

Dá pra ter ideia da tragédia que seria uma batida desse “trem-fantasma”, com tanta gente e a essa velocidade?

Bem, o laudo policial diz que alguém entrou na cabine, enquanto o maquinista inspecionava as rodas, acionou a partida e saltou. Francamente, não é possível aceitar que nossos trens não tenham o mecanismo básico de segurança que lá fora se chama “dead man’s switch” (algo como chave do homem morto). É um simples pedal ou botão que, se não estiver apertado, corta o funcinamento da composição. Foi planejado para evitar algo raro, porém possível: se o maquinista sofre um ataque cardíaco ou outro tipo de problema que o incapacita, o trem para. Todos as ferrovias bem operadas têm. Se o trem da Supervia tem, porque não funcionou? Se não tem, a coisa é pior ainda. Isso é tão sério, acredite, que nos Estados Unidos, até um simples cortador de grama é obrigado por lei a ter este sistema, para não funcionar por mais de três segundos sem controle humano.

Do trem, faço baldeação para o Metrô. E o caso, lá, está ficando tão terrível quanto nos trens. Aliás, quarta-feira, ambos – trem e metrô – ficaram parados por falta de luz. Os atrasos têm sido constantes e, volta e meia, surge uma confusão. Não é preciso dizer que estação de metrô é um lugar fechado, claustrofóbico e, pior ainda, que tem trilhos eletrificados que podem matar uma pessoa em caso de, por tumulto, passageiros irem parar na área das linhas. No incidente desta semana, houve pânico e vimos de novo as cenas de pessoas sendo carregadas pelos passageiros.

Também na quarta-feira, a Agência de Transporte do Estado (Agetransp) abriu processo para verificar em que condições está sendo operada a interligação entre as linhas 1 e 2. Embora seja muito bom viajar sem baldeação, isso não pode ser feito sem garantias de confiabilidade. Sei que a empresa está esperando os 19 novos trens comprados na Coreia do Sul, mas não podemos, até 2011, quando eles começam a chegar, operar o sistema além da sua capacidade, e o metrô já está mais para lata de sardinha que para o meio de transporte confortável e seguro que deveria ser.

Meu ponto final, hoje é nas barcas. O acidente com a Gávea I, uma das barcas novas que a empresa chama de “catamarã social”, traz à tona alguns problemas sérios destas embarcações. O primeiro é a falta de ventilação. Janelas pequenas, e um ar condicionado (?) que não é ligado ou não dá vazão, deixam as embarcações num calor insuportável. Além disso, o embarque e desembarque apertado pela proa – a saída lateral nem sempre é aberta – cria dificuldades para as pessoas mais idosas, mais frágeis, que têm de enfrentar o fluxo de passageiros em sentido contrário.

Nossas autoridades deveriam andar, de vez em quando, sem papagaios-de-pirata e sem um bando de assessores nos nossos transportes de massa, para ver o que passa o povão.

3 Comentários até agora.

  1. Nelson Dantas says:

    E pensar que o Rio durante 100 anos foi referência em transporte sobre trilhos! De 1854 quando inaugurou a primeira ferrovia do Brasil, passando pela mais importante empresa da virada do século, a Ferrovia Central do Brasil e por uma das mais importantes redes de Bonde do mundo. O problema do Rio não é só político, ou técnico. É de ordem externa e vai ter que ser resolvido de maneira externa.

  2. jose luiz says:

    DENTRO DE MEU PONTO DE VISTA O TRASNPORTE PUBLICO NO BRASIL SEMPRE FOI TRATADO EM SEGUNDO PLANO PELOS POLITICOS POIS NORNALMENTE ESTE SERCIÇO E NONOPOLIZADO SEMPRE PELA MESMA EMPRESA QUE PRESTA UM SERVIÇO DE MA QUALIDADE E NUNCA DA NADA

  3. [...] que estamos esperando uma tragédia para agir? Postei o texto na seção Artigos. RSS 2.0 feed Trackback Comentar! A difícil visita de Lula ao Oriente [...]

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